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Siameses nascem com três pernas e desafiam a medicina; caso é de alto complexidade

Gêmeos siameses Marcos e Mateus nascem em Goiânia, enfrentando desafios médicos complexos.

Casos raros e de alta complexidade fazem parte dos maiores desafios da medicina, como o dos gêmeos isquiópagos, bebês que nascem unidos pelo quadril. Na última terça-feira (6), o nascimento dos gêmeos siameses Marcos e Mateus, naturais de Canarana (MT) e nascidos em Goiânia (GO), chamou a atenção por se tratar de uma das ocorrências mais complexas já acompanhadas pela especialidade.

Segundo o médico pediatra e especialista em gêmeos siameses, Zacharias Calil, responsável pelo acompanhamento do caso, a condição dos bebês está entre as mais graves já registradas. Marcos e Mateus são unidos pelo tórax, abdômen e bacia, possuem três pernas, compartilham a mesma genitália e apresentam anomalia anorretal.

“Dentro da nossa especialidade, este é o caso mais complexo de gêmeos conjugados que já acompanhamos. Envolve a união de vários órgãos, o que torna a separação extremamente difícil. Além disso, há a questão da terceira perna, que poderá ser aproveitada em uma etapa futura do tratamento”, explicou o médico.

Calil destacou ainda que, neste momento, os bebês precisam crescer para que a equipe médica possa definir as próximas condutas. “Ainda precisamos avaliar questões como pele e tecidos. No futuro, poderemos decidir sobre o uso de expansores ou outras técnicas”, completou.

Cirurgia de alta complexidade

Os gêmeos nasceram no Hospital Estadual da Mulher (Hemu), em Goiânia, e logo após o parto foram encaminhados para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal, onde seguem sob cuidados intensivos.

De acordo com o especialista, Marcos e Mateus precisam passar por uma cirurgia de colostomia em até 36 horas após o nascimento, procedimento essencial para garantir o funcionamento do intestino. Somente após essa etapa os bebês começarão a ser preparados para a cirurgia de separação, prevista para ocorrer quando tiverem entre 8 meses e 1 ano de vida.

“O funcionamento do intestino e a condição do sistema urinário só poderão ser avaliados com precisão durante os procedimentos cirúrgicos”, ressaltou Calil.

A mãe dos bebês, de 21 anos, passa bem e permanece internada na enfermaria do hospital, recebendo acompanhamento médico.

Fonte: Mayra Monteiro, Metrópoles – 07/01/2026

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