A vacinação é reconhecida como uma das estratégias mais eficazes para prevenir doenças graves.
Mesmo com vacinas disponíveis gratuitamente na rede pública, Belém enfrenta um desafio crescente na saúde coletiva: a baixa adesão da população à imunização. A redução na procura pelas salas de vacinação acende um alerta entre especialistas, especialmente em um cenário marcado pela circulação de vírus respiratórios, arboviroses e pela disseminação de desinformação sobre vacinas.
A capital paraense registra índices de cobertura vacinal abaixo do recomendado para garantir a proteção coletiva da população. O cenário acompanha uma tendência nacional de queda na vacinação, mas traz impactos diretos para o município, atingindo crianças, adolescentes, idosos e famílias inteiras.
A vacinação é reconhecida como uma das estratégias mais eficazes para prevenir doenças graves, reduzir internações e evitar óbitos. Quando a cobertura diminui, o risco de circulação de vírus e bactérias aumenta, favorecendo surtos de doenças que já estavam controladas ou erradicadas.
De acordo com a coordenadora do Programa de Imunizações da Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma), Cleise Soares, a queda na cobertura está relacionada, em parte, ao sucesso histórico das vacinas no Brasil. “A baixa procura se deve, entre outros fatores, à diminuição da percepção de risco das doenças e às dúvidas geradas pela disseminação de notícias falsas sobre a efetividade das vacinas”, explica.
Influenza tem menor cobertura
Entre os imunizantes com menor adesão em Belém, a vacina contra a influenza lidera a lista, com apenas 12,60% de cobertura. A campanha começou em 3 de novembro de 2025 e segue até 28 de fevereiro, sendo voltada exclusivamente aos grupos prioritários, como crianças de 6 meses a 6 anos, idosos e gestantes.
A baixa procura preocupa, pois esses grupos são os mais vulneráveis às formas graves da gripe, com maior risco de complicações, internações e mortes. Embora a cobertura seja baixa em todo o país, na região Norte a campanha ocorre em período diferente do restante do Brasil, o que influencia os índices, mas não reduz a necessidade de ampliar a mobilização.
Vacina contra a dengue também preocupa
Outro ponto de atenção é a vacina contra a dengue, que registra 15,65% de cobertura no município. A aplicação teve início no fim de 2025 e é destinada exclusivamente a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária com alto índice de hospitalizações pela doença.
Como o imunizante não é autorizado pela Anvisa para pessoas acima de 60 anos, a proteção dos mais jovens torna-se estratégica para reduzir a circulação do vírus e proteger os grupos mais vulneráveis.
Além dessas, outras vacinas apresentam cobertura abaixo do ideal, como a meningo ACWY (53,23%), a HPV4 (56,92%) e a poliomielite injetável (58,21%). A baixa adesão reacende o risco de reintrodução de doenças como sarampo, rubéola, coqueluche e poliomielite.
Crianças são as mais afetadas
A hesitação vacinal impacta principalmente o público infantil, que depende da decisão dos pais ou responsáveis para estar protegido. Segundo a Sesma, a circulação de mitos, como a falsa relação entre vacinas e autismo ou desconfianças sobre a vacina da gripe e da covid-19, influencia diretamente a decisão das famílias.
Especialistas reforçam que todas as vacinas disponibilizadas no SUS passam por rigorosos testes de segurança e eficácia antes de serem liberadas à população.
Inverno amazônico exige atenção
Durante o inverno amazônico, marcado por chuvas intensas e maior permanência das pessoas em ambientes fechados, cresce a circulação de vírus respiratórios e de doenças como a dengue. Nesse período, a vacinação torna-se ainda mais importante para evitar complicações e reduzir a pressão sobre os serviços de saúde.
Funcionamento
Para enfrentar a baixa cobertura, a Sesma intensificou ações de busca ativa, realizadas por agentes comunitários de saúde, que identificam pessoas com vacinas em atraso e orientam as famílias diretamente nas comunidades. Todas as salas de vacinação do município seguem abastecidas e funcionam de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h.
Além disso, o Postão de Icoaraci funciona em horário estendido até as 22h, e a secretaria promove ações de vacinação aos fins de semana, facilitando o acesso de quem não consegue comparecer em horário comercial.
Vacinar é um ato coletivo
Para se vacinar, a prefeitura de Belém reforça que basta procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) com documento de identificação ou caderneta vacinal. Quem perdeu o cartão pode solicitar a segunda via ou emitir um novo no momento da vacinação.
Manter a vacinação em dia é um gesto de responsabilidade coletiva, que protege não apenas quem recebe a dose, mas toda a comunidade, especialmente aqueles que não podem ser vacinados. Cada vacina aplicada fortalece a proteção coletiva e ajuda a garantir um futuro mais seguro para Belém.
Fonte: Lucas Quirino, Agência Belém – 21/01/2026


