Socialista, o presidente eleito atraiu votos de eleitores de esquerda e direita, afastando temores de que país ingressaria na aventura populista do Chega.
Envolto numa espécie de cordão sanitário suprapartidário contra a extrema direita em Portugal, o socialista António José Seguro arrebanhou 66,8% dos votos dos eleitores, o dobro do obtido pelo ultradireitista André Ventura, e foi eleito o novo presidente do país.
Com facilidade, o candidato de esquerda afastou definitivamente os temores de que o país ingressaria na aventura populista propagada por seu adversário, admirador confesso do ex-ditador António Oliveira Salazar.
O sobrenome do socialista revela também o trocadilho que os eleitores priorizaram nas urnas. No momento em que o país sofre as consequências de uma sucessão de tempestades climáticas, a votação foi recorde.
“Serei um presidente livre, atento às pessoas e às instituições”, assegurou, após ser eleito.
A moderação reforçada por Seguro atraiu o apoio da direita e da esquerda, travando o caminho de Ventura e seu discurso radical contra imigrantes, ciganos e o sistema em geral. E ainda recuperou o fôlego do Partido Socialista, que parecia devastado pelas últimas eleições legislativas.
“Eu vejo esta vitória com grande alívio e alegria. A maioria se mobilizou e derrotou o populismo, a demagogia, a política feita de mentiras e de golpes. Isso tudo falhou, e eu espero que Ventura tenha aprendido a lição”, resumiu o escritor e comentarista Miguel Sousa Tavares à CNN Portugal.
A mobilização política, contudo, não calou Ventura. Ele se vangloriou por ter conseguido mais votos do que o premiê Luís Montenegro nas últimas eleições legislativas, intitulando-se, assim, como o novo líder da direita portuguesa, “que em breve governará Portugal”.
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A contar pela demonstração de união de partidos de centro-esquerda e de centro-direita, e das principais figuras políticas de Portugal, trata-se de mais uma das bravatas disseminadas pela retórica radical do líder do Chega.
O partido ultradireitista foi lançado há sete anos e é a segunda força política do Parlamento, com 60 cadeiras. Ventura não esconde que seu principal objetivo é chegar a primeiro-ministro e comandar o governo português, mas, nestas eleições presidenciais, o establishment, que tanto critica, unificou-se contra ele e o isolou.
Fonte: g1 – 09/02/2026



