Presidente ainda afirmou que correria o risco de o Brasil ganhar numa eventual disputa. Em março, os dois líderes devem se encontrar em Washington.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (9) que se o presidente norte-americano, Donald Trump, soubesse do seu “parentesco com Lampião” não provocaria o Brasil.
A declaração, em tom de brincadeira, foi feita durante uma cerimônia no Instituto Butantan, em São Paulo. Em seguida, Lula afirmou não querer briga com o norte-americano, já que haveria o risco de o Brasil ganhar.
“Quando eu viajar [para os EUA], eu sou muito teimoso e sou muito tinhoso, sabe? Se o Trump conhecesse o que é a sanguinidade de Lampião de um presidente, ele não ficaria provocando a gente”, argumentou.
Lula ainda ponderou que o trabalho do Brasil é “na construção da narrativa” sobre a importância do multilateralismo para o mundo.
“Eu não quero briga com ele, não sou doido, vai que eu brigo e eu ganho, o que eu vou fazer? Então, a briga do Brasil é a briga da construção da narrativa, nós queremos mostrar que o mundo não pode prescindir do multilateralismo”, justificou.
Na sequência, o presidente ressaltou que foi o multilateralismo que garantiu a paz em uma parte do mundo.
“Nós precisamos provar, num debate político, que foi o multilateralismo, depois da Segunda Guerra Mundial, que criou uma harmonia entre os Estados, e que permitiu que a gente vivesse em paz até agora, pelo menos numa parte do mundo. O unilateralismo imposto pela teoria que de que o mais forte pode tudo contra o mais fraco, a nós, não interessa”, argumentou.
Visita a Washington
Em 26 de janeiro, Lula e Trump conversaram por telefone, ocasião em que combinaram um encontro em Washington.
Após a conversa, Lula confirmou que vai os Estados Unidos em março para ter um encontro “olho no olho” com Donald Trump.
A visita ocorre em meio a discussões sobre cooperação em áreas estratégicas, em especial, na segurança pública.
Lula tem manifestado interesse em ampliar a parceria nas áreas de repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas, além do congelamento de ativos de grupos criminosos e do intercâmbio de dados sobre transações financeiras.
A iniciativa, segundo o Planalto, foi bem recebida por Trump.
A expectativa é que Lula aproveite a instabilidade no cenário internacional para reiterar o pedido de reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, um pleito do petista desde o primeiro mandato, em 2002.
O presidente brasileiro ainda não respondeu formalmente sobre o convite de Trump para integrar o Conselho da Paz, mas propôs duas alterações-chave: que o órgão se limite à crise de Gaza e que a Palestina tenha assento.
A diplomacia brasileira vê o estatuto como problemático por dar poder excessivo ao presidente dos EUA e avalia que participar poderia legitimar uma espécie de “ONU alternativa”.
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Cerimônia no Butantan
Na ocasião, o presidente anunciou investimentos para ampliar a estrutura do Instituto Butantan e aumentar a capacidade para produção de vacinas e insumos imunobiológicos.
Isso inclui a fabricação do insumo farmacêutico ativo (IFA) para imunizantes como a DTPa (difteria, tétano e coqueluche) e a vacina contra o HPV.
A iniciativa, que busca reduzir a dependência de importações, prevê investimento total de R$ 1,4 bilhão.
Durante o evento, o governo também anunciou o começo da vacinação contra a dengue para profissionais de saúde da Atenção Primária do SUS, com base no desenvolvimento de uma vacina 100% nacional pelo Instituto Butantan.
O presidente Lula tem usado agendas na área da saúde para reforçar críticas à condução do governo Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19, lembrando a defesa de vacinas e da ciência em contraposição ao negacionismo adotado à época.
Em 2026, ano eleitoral, o tema voltou a ocupar espaço na estratégia política do governo Lula, que busca associar investimentos em vacinação, produção nacional de imunizantes e fortalecimento do SUS a uma marca de reconstrução das políticas públicas desmontadas no governo anterior.
Além de Lula, estavam presentes na cerimônia o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Assim como Lula, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também fez críticas a Trump e sua política antivacina. E afirmou que a resposta do governo brasileiro é ampliar o investimento.
Fonte: Kellen Barreto, g1 — Brasília – 09/02/2026


