Com 21 opções liberadas pela Anvisa, classe de medicamentos baseados em GLP-1 expande indicações e revela efeitos que vão além da perda de peso.
O mercado de medicamentos injetáveis e orais para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade passa por uma rápida expansão no Brasil e no mundo. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já contabiliza 21 registros de canetas e pílulas com princípios ativos como semaglutida, tirzepatida e liraglutida.
Além de transformarem o controle glicêmico e a perda de peso, essas substâncias vêm chamando a atenção de cientistas por um efeito secundário inesperado: a alteração direta na relação dos pacientes com o consumo de álcool.
Panorama no Brasil e indicações da Anvisa
A aprovação recente de versões contendo semaglutida sintética ampliou o leque de opções no país. Embora populares pelo efeito na balança, é fundamental diferenciar quais medicamentos têm indicação aprovada para perda de peso e quais são voltados prioritariamente ao controle do diabetes tipo 2:
• Indicados para Obesidade e Sobrepeso: Wegovy, Saxenda, Povitztra e Olire.
• Indicados para Diabetes, Obesidade e Apneia do Sono: Mounjaro (tirzepatida).
• Indicados prioritariamente para Diabetes Tipo 2: Ozempic, Rybelsus, Victoza, Trulicity e as novas opções de semaglutida sintética (como Owozy, Seemasun e Zempneo).
Importante: Todos esses medicamentos exigem prescrição e acompanhamento médico contínuo.
Como os medicamentos atuam no organismo
Esses fármacos atuam como agonistas do receptor de GLP-1 (e, no caso da tirzepatida, também de receptores de GIP), promovendo três ações principais:
1. Retardo do esvaziamento gástrico: Mantêm a sensação de estômago cheio por mais tempo.
2. Regulação da glicemia: Estimulam a produção de insulina conforme a necessidade do corpo.
3. Ação no cérebro: Reduzem a compulsão alimentar e os picos de apetite.
O efeito na redução do desejo por álcool
Estudos de universidades norte-americanas, como as da Carolina do Sul e do Colorado Anschutz, apontam que a atuação do GLP-1 no sistema de recompensa do cérebro diminui a busca por prazer imediato gerada por certas substâncias.
Com isso, diversos pacientes relatam uma perda espontânea da vontade de consumir bebidas alcoólicas, redução drástica na tolerância ao álcool ou até mesmo episódios de náusea ao tentar beber.
O que dizem a ciência e as autoridades
Pesquisadores investigam a possibilidade de utilizar esses fármacos no futuro para o tratamento do Transtorno por Uso de Álcool (TUA). No entanto, a Anvisa reforça que, no Brasil, não há aprovação oficial para o uso das canetas com essa finalidade.
Médicos também alertam que a combinação de bebidas alcoólicas com esses medicamentos exige cautela, pois pode intensificar efeitos colaterais como enjoo, refluxo e riscos gastrointestinais.
Fonte: Wittany Yone Medeiros Arantes – 11/08/2026




