Temperatura do Pacífico já supera marcas históricas, enquanto o fenômeno ainda deve ganhar força nos próximos meses.
O El Niño de 2026 já apresenta um comportamento excepcional antes mesmo de chegar ao período previsto para atingir sua maior intensidade. O Oceano Pacífico Equatorial registrou temperaturas muito acima da média, com índices superiores a 3°C em algumas áreas, enquanto as projeções apontam para um novo aumento nos próximos meses.
O cenário chama atenção porque o aquecimento ocorre ainda antes do pico sazonal esperado para o fenômeno. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) informou, em setembro, que há mais de 90% de probabilidade de um El Niño muito forte durante o outono e o inverno do Hemisfério Norte.
O fenômeno é caracterizado pelo aumento anormal da temperatura das águas superficiais do Pacífico Equatorial. Essa mudança interfere na circulação da atmosfera e pode modificar os padrões de chuva e calor em diferentes partes do mundo.
Um dos aspectos que diferenciam o episódio atual é a velocidade com que o oceano atingiu temperaturas elevadas. Dados recentes de monitoramento mostram que a região do Pacífico usada como referência para acompanhar o El Niño já alcançou níveis considerados muito fortes.
Na região Niño 3.4, a NOAA registrou anomalia de 1,8°C na atualização de 10 de setembro, enquanto outras áreas do Pacífico Equatorial apresentaram valores ainda maiores. Na região Niño 3, por exemplo, a anomalia chegou a 2,5°C.
Além do aquecimento na superfície, há uma grande quantidade de água mais quente acumulada abaixo dela. Segundo a NOAA, foram observadas anomalias superiores a 10°C em profundidade em partes do Pacífico Equatorial, um sinal de que existe energia armazenada no oceano que pode continuar alimentando o fenômeno.
O que pode acontecer até o fim do ano
As projeções indicam que o El Niño deve continuar se fortalecendo durante os próximos meses. Há modelos que apontam para um episódio de intensidade excepcional, com possibilidade de superar marcas observadas em eventos históricos.
Uma análise publicada nesta semana aponta que alguns modelos projetam valores próximos ou superiores a 4°C de anomalia durante o período de maior intensidade. Essas projeções, porém, representam cenários de modelos climáticos e ainda podem mudar conforme a evolução do oceano e da atmosfera.
Por isso, especialistas fazem uma distinção entre os recordes observados diariamente e a classificação definitiva do fenômeno. Para avaliar oficialmente a intensidade do El Niño, são consideradas médias de períodos mais longos, e não apenas um registro isolado.
Efeitos podem chegar à Amazônia
O comportamento do Pacífico também é acompanhado de perto no Brasil. Um painel coordenado por INPE, INMET, ANA, CEMADEN, SGB, Defesa Civil e Censipam já apontava, no início de setembro, mais de 90% de probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte entre setembro e novembro.
As instituições brasileiras indicaram que, para o trimestre de setembro a novembro, havia previsão de chuvas abaixo da média em áreas do centro-norte do país, enquanto o Sul poderia registrar precipitações acima da média.
Na Amazônia, a atuação do El Niño pode contribuir para mudanças no regime de chuvas e para períodos mais quentes e secos em determinadas áreas. Os efeitos, porém, não são iguais em todos os estados e dependem também de outros sistemas atmosféricos.
Calor dos oceanos também bate marcas
O aquecimento do Pacífico ocorre em um contexto de temperaturas excepcionalmente elevadas nos oceanos de todo o planeta. Dados divulgados em setembro mostraram que a temperatura média diária da superfície dos mares permaneceu em níveis recordes por 100 dias consecutivos, entre 2 de junho e 10 de setembro.
Fonte: Alexandre Nascimento, G1 – 22/09/2026




