quinta-feira, abril 2, 2026
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Alta no preço do querosene de aviação deve gerar ‘consequências severas’, diz associação das aéreas

Petrobras elevou em mais de 50% o preço médio de venda do combustível, em meio aos impactos da guerra no Oriente Médio. Em nota, a entidade não mencionou eventual aumento nos preços das passagens.

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) afirmou nesta quarta-feira (1º) que o reajuste de 54,6% no preço do querosene de aviação (QAV) pode gerar “consequências severas” para o setor — sem mencionar eventual aumento nos preços das passagens.

Segundo a entidade, a nova alta, somada ao reajuste de 9,4% aplicado desde 1º de março, faz com que o combustível passe a representar 45% dos custos operacionais das companhias aéreas. Até então, a fatia superava 30%.

“A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo”, diz, em nota, a Abear.

A declaração ocorre poucas horas após a confirmação de que a Petrobras elevou, em abril, o preço médio de venda do querosene de aviação às distribuidoras. Os ajustes do QAV ocorrem no início de cada mês, conforme previsto em contrato.

Para suavizar os efeitos do aumento, a estatal também anunciou um mecanismo de parcelamento dos pagamentos. (leia mais abaixo)A alta é resultado do avanço do petróleo no mercado internacional, impulsionado pela guerra no Oriente Médio, que envolve Estados Unidos e Israel contra o Irã.

  • Desde o início da guerra, o preço do barril de petróleo saltou de cerca de US$ 70 para mais de US$ 115.
  • Nesta quarta-feira, o preço do barril Brent caía 1,80%, a US$ 102,10. Ontem, o combustível fechou em US$ 103,97.

Ao todo, mais de 80% do QAV consumido no Brasil é produzido no país. Ainda assim, os preços seguem a paridade internacional, o que amplia os efeitos das oscilações do barril de petróleo.

Embora a Abear tenha citado os impactos dos choques externos sobre os custos das companhias aéreas, a associação não mencionou diretamente a possibilidade de um aumento nos preços das passagens aos consumidores.

“A Abear tem defendido a implementação de mecanismos que permitam diminuir os impactos do aumento do QAV, garantindo o desenvolvimento do transporte aéreo, a conectividade nacional e a sustentabilidade econômica das operações”, conclui a nota.

Em comunicado, a Petrobras anunciou uma iniciativa para suavizar os efeitos do reajuste do querosene de aviação.

A estatal afirmou que, em abril, as distribuidoras pagarão alta equivalente a 18%. A diferença até os cerca de 54% previstos em contrato será parcelada em seis vezes, a partir de julho.

“Essa medida visa preservar a demanda pelo produto e mitigar os efeitos do reajuste no setor de aviação brasileiro, assegurando o bom funcionamento do mercado”, informou a Petrobras.

Custos mais altos

O aumento do combustível, associado à tensão no Oriente Médio, tem afetado companhias aéreas em diferentes países. Com custos maiores, as empresas do setor tendem a repassar parte desse impacto para as passagens ou revisar suas projeções financeiras.

Nesta semana, o Grupo Abra, holding que controla a companhia aérea Golhavia antecipado que a Petrobras elevaria os preços do querosene de aviação em cerca de 55%.

O diretor financeiro da Abra, Manuel Irarrazaval, afirmou que o aumento anunciado pela Petrobras para abril seria “moderado” em comparação com a alta observada no mercado internacional.

Segundo ele, a política de reajustes mensais ajuda as companhias aéreas a lidar com as variações de custos ao longo do tempo. Ainda assim, o executivo afirmou, em conferência com analistas, que a empresa pode precisar elevar os preços das passagens sempre que o combustível subir.

Irarrazaval declarou ainda que um acréscimo de US$ 1 por galão no preço do querosene de aviação pode exigir uma elevação de cerca de 10% nas tarifas.

Azul informou na semana passada que já elevou o preço médio das passagens em mais de 20% ao longo de três semanas. A companhia também anunciou que pretende limitar o crescimento da operação para lidar com a alta do combustível.

Entre as medidas previstas está a redução de 1% na oferta de voos domésticos no segundo trimestre.

Veja a íntegra da nota da Abear

“A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) alerta para os impactos do reajuste de 54,6% no preço do Querosene de Aviação (QAV). Somado ao aumento de 9,4% em vigor desde 1º de março, o combustível passa a responder por 45% dos custos operacionais das companhias aéreas. A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo.

Embora mais de 80% do QAV consumido no Brasil seja produzido internamente, sua precificação acompanha a paridade internacional, o que intensifica os efeitos das oscilações do preço do barril de petróleo sobre o mercado doméstico, ampliando os impactos de choques externos sobre os custos das companhias aéreas.

Nesse sentido, a Abear tem defendido a implementação de mecanismos que permitam diminuir os impactos do aumento do QAV, garantindo o desenvolvimento do transporte aéreo, a conectividade nacional e a sustentabilidade econômica das operações.”

Fonte: Redação g1 — São Paulo – 01/04/2026

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