Bombardeio com drone atinge hotel em Beirute e mira comandantes ligados ao Irã; ofensiva também alcança infraestrutura petrolífera em Teerã
Na madrugada deste domingo (08) o Líbano voltou a registrar novos bombardeios em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. Segundo o Ministério da Saúde libanês, com os ataques mais recentes, o número de mortos no país chegou a 394 desde a retomada das hostilidade.
A ofensiva desta vez atingiu o centro de Beirute. Israel afirmou que o ataque, realizado com drones, teve como alvo comandantes iranianos que estariam atuando na capital libanesa. Está é a primeira operação militar dentro dos limites da cidade desde o último sábado (28).
Na ocasião, um ataque conjunto de Israel e Estados Unidos contra o Irã matou o líder supremo do país, Ali Khamenei. Desde então, Tel Aviv vinha concentrando bombardeios nos subúrbios do sul de Beirute e também em áreas do sul e do leste do território libanês.
“Os comandantes do Corpo Libanês da Força Quds operavam para promover ataques terroristas contra o Estado de Israel e seus civis, enquanto simultaneamente atuavam para a Guarda Revolucionária Islâmica no Irã”, afirmou o Exército israelense em comunicado, sem revelar a identidade das vítimas.
Ataque em hotel e aumento de vítimas
Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, que não diferencia civis de combatentes, quatro pessoas morreram no ataque ocorrido na capital. O novo balanço aumenta o total de vítimas para 394, incluindo ao menos 83 crianças e 42 mulheres. Divulgado neste sábado (07), o balanço anterior apontava 294 vítimas.
O ministro da Saúde do Líbano também denunciou ataques contra serviços de emergência. Segundo ele, nove socorristas morreram na última semana após bombardeios que atingiram “equipes médicas e ambulâncias”.
Por sua vez, Israel afirma ter eliminado cerca de 200 integrantes do Hezbollah, grupo armado libanês apoiado pelo Irã e considerado um dos principais aliados de Teerã na região.
Um dos ataques deste domingo (08) atingiu o edifício do hotel Ramada, localizado no bairro de Raouche, na orla marítima de Beirute. A região costuma ser um dos pontos turísticos da cidade, mas passou a abrigar parte dos mais de 450 mil deslocados que fugiram dos combates no sul do Líbano e nos subúrbios da capital.
Um fotógrafo da agência AFP que esteve no local relatou ter visto uma suíte no quarto andar com janelas destruídas e paredes enegrecidas pela explosão. Dezenas de hóspedes deixavam o hotel assustados, carregando as bagagens.
A agência não conseguiu verificar de forma independente a identidade das vítimas. No entanto, uma fonte de segurança presente no local, que falou sob condição de anonimato para a imprensa, afirmou que paramédicos ligados ao Hezbollah retiraram três corpos do prédio.
Apesar do ataque no centro da capital, alguns dos bombardeios mais letais ocorreram em outras regiões. De acordo com a agência oficial de notícias ANI, além das quatro mortes no hotel, outras 12 pessoas morreram em ataques israelenses registrados durante a madrugada deste domingo (08) no leste do país e nos subúrbios de Beirute.
Escalada de conflito
A tensão também se ampliou fora do território libanês. Na noite deste sábado (07), um depósito de petróleo localizado no sul de Teerã, capital do Irã, foi bombardeado. O Exército israelense assumiu a autoria da operação. Este foi o primeiro ataque contra uma infraestrutura petrolífera da República Islâmica desde o início do conflito.
Pouco depois da ofensiva, que pode indicar uma nova etapa na guerra, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou que as operações militares continuarão e prometeu atingir diretamente os líderes iranianos.
“Temos um plano organizado com muitas surpresas para desestabilizar o regime e possibilitar a mudança”, declarou o premiê em um vídeo. “Temos muitos outros alvos”, completou.
O impacto do ataque ao depósito de petróleo ainda não foi totalmente avaliado. A ofensiva ocorreu pouco depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar a jornalistas, a bordo do Air Force One, que não tem interesse em negociar o fim do conflito no Oriente Médio.
Fonte: Júlia Marques, Folhapress – 08/03/2026



