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‘Celular-bomba’ e apagamento seletivo: PF lista manobras de Bacellar para fugir da investigação

Relatório do indiciamento do deputado aponta uso de telefones em nome de terceiros, orientação para destruir dados na nuvem e articulações para tentar barrar apurações.

Polícia Federal (PF) listou uma série de manobras atribuídas ao deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), presidente licenciado da Alerj, e a outros investigados para dificultar a ação da Justiça, ocultar provas e evitar o rastreamento das comunicações.

As informações constam no inquérito que indiciou Bacellar; o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH JoiasFlávia Júdice NetoJéssica Oliveira Santos; e Tharcio Nascimento Salgado por suspeita de vazamento de informações sigilosas para integrantes do Comando Vermelho.

Segundo a PF, as “contramedidas” foram divididas em núcleos de atuação e incluem uso de “celulares-bomba”apagamento seletivo de dados em nuvemtentativas de interferência política e estratégias para atrasar processos.

Rodrigo Bacellar e entorno próximo

De acordo com o relatório, Bacellar utilizava aparelhos telefônicos em nome de terceiros, descritos como “terminais-bomba”, para operar em circuitos restritos e limitar o rastreio de contatos e de fluxos de comunicação. No momento da prisão do deputado, em dezembro, um outro celular desse tipo foi encontrado no veículo do deputado.

A PF aponta que Bacellar também utilizava terceiros para realizar reservas de hospedagem, como em viagens a Brasília, com o objetivo de evitar a associação direta do seu nome a locais de permanência ou encontros.

Ainda segundo os investigadores, o deputado dava preferência a ligações por vídeo para tratar de assuntos considerados sensíveis, numa tentativa de dificultar eventual interceptação.

Com um assessor de , foi apreendido um manuscrito com orientações técnicas para exclusão de dadossuspensão de backups e ajustes no iCloud — a plataforma da Apple de armazenamento em nuvem —para “desativar tudo”. Para a PF, o documento indica preocupação em eliminar vestígios digitais.

TH Joias e Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj — Foto: Divulgação
TH Joias e Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj — Foto: Divulgação

Desembargador Macário Júdice e Flávia Júdice

O relatório afirma que o desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) Macário Júdice Neto e a mulher, Flávia Júdice, intensificaram medidas após o avanço das investigações da Operação Unha e Carne.

A investigação aponta que Macário buscou tutoriais para alterar credenciais do iCloud e promover o apagamento seletivo de conversas, especialmente diálogos mantidos com Rodrigo Bacellar.

A perícia, segundo a PF, constatou que as contas vinculadas ao desembargador continham uma “quantidade irrisória” de arquivos após as alterações.

O magistrado também teria realizado pesquisas sobre o superintendente da PF no Rio, Fábio Galvão, e o diretor-geral da corporação, Andrei Passos Rodrigues, para identificar possíveis ingerências ou pontos de pressão.

Flávia, por sua vez, teria pesquisado como excluir imagens de sistemas de monitoramento e como ocultar aplicativos no iPhone.

A PF afirma ainda que Macário tentou reiteradamente declinar a competência de processos para outras instâncias, como o Supremo Tribunal Federal (STF) ou a 1ª instância, numa estratégia para atrasar julgamentos e tentar atribuir a responsabilidade por vazamentos a terceiros.

Macário chegou a ser preso no curso das investigações, mas não foi indiciado. Segundo a PF, a medida se deve às regras previstas na Lei Orgânica da Magistratura, que estabelece procedimentos específicos para a responsabilização de magistrados.

O que dizem os investigados

Nota de Rodrigo Bacellar

“Em relação ao Presidente da Assembleia, Rodrigo Bacellar, a defesa esclarece que inexiste qualquer elemento probatório para pretender lhe imputar qualquer participação em ilicitude e ou vazamento, ao contrário, só há ilações desamparadas.

A defesa destaca ser descabido o indiciamento efetivado, realizado muito mais para justificar a ação açodada da Autoridade Policial, do que respaldada em elementos sérios e comprometedores.”

Nota de TH Joias

“A defesa de TH Joias informa aos jornalistas e nega peremptoriamente qualquer participação de Thiago em qualquer possibilidade de vazamento ou informações a qualquer organização criminosa do Estado do Rio de Janeiro. Sua relação com o deputado Rodrigo Bacelar era uma relação urbana, uma relação de parlamento entre colegas de Parlamento.

Assim como, TH Joias jamais conheceu e sequer teve qualquer contato com o desembargador Macário ou qualquer outro personagem deste inquérito policial e desta confusão.”

O g1 tenta contato com as defesas dos demais citados.

Fonte: Marco Antônio MartinsMahomed Saigg, g1 Rio e TV Globo – 28/02/2026 

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