Condenação foi a 1ª de 8 processos contra Yoon Suk Yeol. Tribunal sul-coreano considerou ex-presidente culpado por ilegalidades processuais e obstrução da justiça. Yoon ainda pode ser condenado à pena de morte.
O ex-presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol, afastado no ano passado por tentativa de golpe, foi condenado nesta sexta-feira (16) a cinco anos de prisão por crimes relacionados à obstrução da justiça.
A condenação foi o desfecho do primeiro de oito julgamentos criminais aos que Yoon responde na Justiça sul-coreana — o ex-presidente foi acusado de tentativa de golpe ao impor a lei marcial na Coreia do Sul em dezembro de 2024 (relembre abaixo).
A sentença é menor do que os dez anos de prisão solicitados pela Promotoria contra o ex-líder conservador de 65 anos, cuja tentativa de golpe contra o Parlamento mergulhou o país em uma crise política que levou à sua destituição do cargo.
A decisão, anunciada nesta sexta pelo tribunal do distrito central de Seul, julgou alguns dos crimes aos quais Yool respondia relacionados à tentativa de gople. O ex-presidente foi considerado culpado por não seguir o devido processo legal antes de declarar a lei marcial e por outros crimes relacionados à obstrução de Justiça. São eles:
- Excluir funcionários do governo de uma reunião sobre os preparativos para a imposição da lei marcial;
- Fabricar um documento oficial relacionado à declaração da lei marcial;
- Impedir que investigadores o prendessem, escondendo-se por semanas na residência oficial sob proteção de sua guarda pessoal;
- Destruir possíveis provas criminais ao ordenar a eliminação de registros telefônicos oficiais.
Agora, o ex-presidente ainda enfrenta mais sete processos separados, e em um deles, que julga insurreição, pode resultar em pena de morte.
“Apesar de ter o dever, acima de todos os outros, de defender a Constituição e observar o Estado de Direito como presidente, o réu demonstrou uma atitude que desrespeitou a Constituição. (…) A culpabilidade do réu é extremamente grave”, disse o juiz Baek Dae-hyun. O juiz acrescentou, no entanto, que Yoon não foi considerado culpado de falsificação de documentos oficiais devido à falta de provas.
A defesa de Yoon, que já está preso desde julho de 2025, afirmou que irá recorrer da decisão.
‘Insurreição’
Essa condenação ocorre dias após promotores, em outro caso, terem pedido a pena de morte por seu papel como “líder de uma insurreição” por orquestrar a imposição da lei marcial.
Eles argumentaram que Yoon merece essa punição porque não demonstrou “remorso” por ações que ameaçaram a “ordem constitucional e a democracia”.
Se condenado, é altamente improvável que a sentença seja executada, já que a Coreia do Sul mantém uma moratória não oficial sobre execuções desde 1997.
O ex-líder alega que a declaração da lei marcial foi um exercício legal de sua autoridade presidencial.
Na terça-feira, ele insistiu que “o exercício dos poderes constitucionais de emergência de um presidente para proteger a nação e manter a ordem constitucional não pode ser considerado um ato de insurreição”.
Yoon acusa o então partido da oposição de ter imposto uma “ditadura inconstitucional” ao controlar o Legislativo.
Em sua opinião, “não havia outra opção a não ser despertar o povo, que é soberano”.
Relembre o caso
Yoon Suk Yeol decretou lei marcial na Coreia do Sul em 3 de dezembro de 2024. Com o decreto, o presidente tentou fechar o Parlamento e limitar os direitos civis da população. No entanto, com a resistência dos legisladores e também da população ao anúncio, a medida foi derrubada horas depois.
Em janeiro de 2025, promotores da Coreia do Sul indiciaram o presidente afastado por insurreição, que é uma das poucas acusações criminais das quais um presidente no país não tem imunidade. O crime é punível com prisão perpétua ou morto, embora ninguém tenha sido executado por esse crime em décadas.
Antes de ir à prisão e se tornar o primeiro presidente sul-coreano em exercício a ser detido, ele resistiu semanas em sua residência graças à proteção do corpo de segurança presidencial.
Em audiências do Tribunal Constitucional sul-coreano, Yoon e seus advogados argumentaram que ele nunca teve a intenção de impor totalmente a lei marcial, mas apenas pretendia que as medidas fossem um aviso para quebrar o impasse político.
Fonte: Por France Presse – 16/01/2026


