domingo, março 15, 2026
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Guerra no Irã se expande e atinge praticamente todos os países do Oriente Médio; veja quem são os envolvidos

Teerã lançou ataques retaliatórios contra bases dos EUA na região, bem como alvos civis em países vizinhos. Aumento das agressões entre Israel e Hezbollah arrastaram também o Líbano para o teatro de operações.

Ao contrário de conflitos recentes na região, como a guerra entre Irã e Israel de junho de 2025 e entre Israel e Hamas, a atual Guerra no Irã extrapolou as fronteiras dos países diretamente envolvidos e se alastrou pelo Oriente Médio.

Os combates, que entram agora na terceira semana, tiveram início em 28 de fevereiro com bombardeios conjuntos de EUA e Israel contra o território iraniano, resultando na morte do líder supremo do país, Ali KhameneiUma escola com estudantes também foi atingida, entre outros alvos.

O Irã lançou ataques retaliatórios pouco depois, não só contra Israel, mas também em direção a embaixadas, a bases americanas espalhadas pela região e também a alvos civis, como prédios que supostamente abrigariam funcionários americanos.

Ao mesmo tempo, Hezbollah e Israel intensificaram as hostilidades em meio ao conflito, arrastando o Líbano, inclusive sua capital, Beirute, para o teatro de operações.

Países envolvidos na Guerra do Irã — Foto: Editoria de Arte/g1
Países envolvidos na Guerra do Irã — Foto: Editoria de Arte/g1

Veja, a seguir, todos os países envolvidos na guerra:

Irã

O país vinha sendo pressionado, e abriu novas negociações com os EUA para um acordo que limitasse seu programa nuclear. Mesmo com negociadores tratando do tema, o Irã foi alvo de um ataque conjunto de EUA e Israel no último dia 28 de fevereiro, ato que deflagrou a guerra.

Seu território vem sofrendo bombardeios contra alvos militares e políticos. Ativos econômicos, como refinarias de petróleo, também foram atingidos.

Em resposta, Teerã lançou ataques retaliatórios e fechou o estreito de Ormuz, importante escoador de petróleo que o país efetivamente controla, para a maior parte do tráfego. A ação envolve o ataque a navios que tentam sair do Golfo Pérsico.

Estados Unidos

Principal ator do conflito fora do Oriente Médio, os americanos mobilizaram um enorme efetivo militar na região, como caças e frotas navais inteiras que foram colocados à disposição do Comando Central (CentCom).

Washington possui bases em diversos países, além de acordos de cooperação militar. O Bahrein, por exemplo, é a sede da Quinta Frota da Marinha americana. Sua maior base aérea na região, Al Udeid, fica no Catar.

O Irã considera os países que abrigam instalações americanas como alvos legítimos de ataques, mesmo os que tentam permanecer neutros na guerra, como Catar e Omã.

Israel

Tel Aviv e Teerã são inimigos desde a Revolução de 1979, quando o regime dos aiatolás se instaurou no Irã. Israel tem realizado ataques diários contra território iraniano – e também tem sido alvo constante de bombardeios do Irã, inclusive de mísseis de fragmentação.

Com o início do conflito, o grupo terrorista Hezbollah, do Líbano, voltou a atacar o território israelense, abrindo mais um front para o país no conflito.

Líbano

Desde o fim da última guerra entre Israel e Hezbollah, em novembro de 2024, um cessar-fogo havia sido negociado entre as partes. Israel seguiu realizando bombardeios pontuais contra o Líbano, sob a justificativa de frear o rearmamento do grupo terrorista.

Com a volta dos ataques do Hezbollah, um tradicional aliado do Irã, o Líbano voltou ao teatro de operações, sendo alvos de bombardeios pesados em diversas regiões, como o sul, o vale do Bekaa e a capital, Beirute.

Autoridades libanesas afirmam que os mortos no país por mísseis israelenses já passam de 700.

Explosão de destroços em chamas após supostos ataques israelenses nos subúrbios do sul de Beirute , em decorrência de uma escalada entre o Hezbollah e Israel, em meio ao conflito entre EUA e Israel com o Irã, Líbano, 13 de março de 2026. — Foto: REUTERS/Amr Abdallah Dalsh
Explosão de destroços em chamas após supostos ataques israelenses nos subúrbios do sul de Beirute , em decorrência de uma escalada entre o Hezbollah e Israel, em meio ao conflito entre EUA e Israel com o Irã, Líbano, 13 de março de 2026. — Foto: REUTERS/Amr Abdallah Dalsh

Emirados Árabes Unidos

Um dos maiores aliados dos EUA na região também é um dos principais alvos de drones suicidas do Irã nas primeiras semanas de conflito. Autoridades do país estimavam em mais de 800 ataques de Teerã até a última atualização.

Muitos dos alvos foram instalações civis, como o hotel Palm Jumeirah e o maior prédio do mundo, o Burj al-Khalifa, ambos em Dubai.

Imagem mostra andar de torre de luxo em chamas, em Dubai, em 11 de março de 2026 — Foto: Reprodução/Isna
Imagem mostra andar de torre de luxo em chamas, em Dubai, em 11 de março de 2026 — Foto: Reprodução/Isna

Catar

De todos os países do Golfo, é o que costuma ter melhores relações com o Irã, já que tanto seu governo quanto sua população são de maioria xiita. O país, porém, também abriga a maior base aérea americana da região, atacada por Teerã.

Doha interrompeu sua produção de gás natural depois de ter duas instalações danificadas por ataques iranianos. Dois caças do Irã também foram abatidos pela Força Aérea catari.

Bahrein

Outro aliado dos EUA, de maioria xiita mas controlado por uma família real sunita, o país é destino frequente de drones de Teerã – tanto a sede da Quinta Frota dos EUA e infraestrutura energética, quanto prédios civis, que o Irã alega serem usados por militares americanos.

Omã

Omã tem por princípio diplomático a neutralidade, e por isso mesmo se coloca como mediador de conflitos dos vizinhos: era Mascate, por exemplo, que intermediava as negociações entre EUA e Irã por um acordo nuclear antes de as conversas naufragarem.

Apesar disso, os EUA mantém bases no país, atacadas por drones ao longo da guerra.

Arábia Saudita

Riad e Washington têm laços históricos, e o Irã buscou bombardear não só a embaixada americana no país, mas também a refinaria de Ras Tanura, uma das maiores do mundo e peça central da indústria petrolífera saudita.

Jordânia

Outro país da região com forte ligação com as potências orientais. Apesar de seu espaço aéreo ser constantemente riscado por mísseis dirigidos a Israel, houve poucos ataques direcionados a bases americanas em seu território, em comparação com seus vizinhos.

Iraque

O país tem sido um dos mais atacados por Teerã, visto a enorme quantidade de bases americanas de grande porte, existentes desde a Guerra ao Terror de 2003. Além de Bagdá, os maiores focos iranianos estão no norte, ao redor de Erbil, onde existe forte presença curda, hostil a Teerã.

Americanos têm usado o país por sua localização estratégica, embora a maioria das missões seja confidencial. Foi em espaço aéreo iraquiano que um avião de reabastecimento KC-135 dos EUA caiu em meio a uma operação.

Chipre

A ilha abriga uma grande base militar britânica que foi atacada por drones na semana passada. Ninguém reivindicou o ataque, mas a imprensa internacional especula que tenha vindo do Hezbollah.

Azerbaijão

Drones suicidas iranianos atingiram um aeroporto e áreas civis no país, um importante produtor de petróleo vizinho ao Irã. Autoridades de Baku dizem considerar uma retaliação.

Outro países

Sem envolvimento direto, ao menos por enquanto, outras nações têm tido participação marginal na guerra:

  • No Sri Lanka, um submarino americano afundou um navio militar iraniano que estava no país para a realização de um exercício. Há relatos de que a embarcação estava desarmada. Foi o primeiro abate de um navio por um submarino americano desde a Segunda Guerra Mundial.
  • Na Turquiabaterias antiaéreas da Otan abateram mísseis de origem iraniana. Um outro míssil também caiu na Síria, sem explodir.
  • Após o ataque com drones à base no Chipre, o premiê do Reino Unido, Keir Starmer, autorizou o uso de bases aéreas britânicas pelos EUA. Um destróier também foi enviado ao Mediterrâneo Oriental.
  • França, também receosa de apoiar a ação militar de EUA e Israel, decidiu pelo envio de um porta-aviões, que não participou ativamente de nenhuma missão.

Fonte: Daniel Médici, g1 – 15/03/2026

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