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México limita importação de carne bovina e suína com taxa zero, e Brasil deve ser impactado

Foram criadas cotas com isenção do imposto e o que exceder terá taxa.

O governo do México publicou na segunda-feira (5) duas resoluções que limitam a quantidade de importação de carnes bovina e suína sem imposto.

Até então, empresas mexicanas tinham direito a tarifa zero para compra desses alimentos do exterior independente de quantidade.

Agora, foram estabelecidas cotas, e os volumes que excederem esses limites vão passar a pagar taxa, o que deve impactar as exportações de países que vendem carne para o México, como o Brasil.

➡️De janeiro a novembro de 2025, a carne bovina foi o segundo maior produto exportado pelo Brasil para o México, enquanto a carne de porco foi o décimo, mostram dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

A medida foi divulgada dias depois de a China, maior compradora de carne bovina brasileira, também limitar as importações do produto.

No México, a isenção de imposto de importação para carne bovina e suína estava prevista no Pacote contra a Inflação e a Carestia (Pacic), uma iniciativa do governo criada em 2022 para combater o aumento dos preços dos alimentos.

Essa política foi prorrogada este ano, mas diversos produtos passaram a ter cotas e tarifas.

Como fica agora

➡️Com a mudança, os mexicanos vão poder importar 70 mil toneladas de carne bovina sem pagar tarifa, mas o que exceder esse volume será taxado em 20%.

➡️No caso da carne suína, a cota livre de imposto será de 51 mil toneladas, enquanto o excedente pagará uma taxa de 16%.

medida valerá até 31 dezembro deste ano.

Nas resoluções, o governo mexicano afirma que as cotas foram criadas para manter o “equilíbrio entre a oferta externa e a produção nacional”.

A cota é voltada para os países de fora da América do Norte e com os quais o México ainda não tem acordo de comércio, esclareceu a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

“A cota basicamente deverá ser utilizada por Brasil, Chile e União Europeia”, complementou a entidade, que representa os produtores de carne suína.

Já a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), do setor de bovinos, disse que está aguardando orientações do governo mexicano sobre como vai ser feita a distribuição das cotas.

O frango, no entanto, que é o principal produto exportado pelo Brasil para o México, continua com tarifa zerada, informou a ABPA.

Veja os maiores compradores da carne bovina brasileira em 2025 — Foto: Kayan Albertin/g1
Veja os maiores compradores da carne bovina brasileira em 2025 — Foto: Kayan Albertin/g1

Veja os maiores compradores da carne suína brasileira em 2025 — Foto: g1/Kayan Albertin
Veja os maiores compradores da carne suína brasileira em 2025 — Foto: g1/Kayan Albertin

A importância do México para o Brasil

De janeiro a novembro de 2025, o México foi o sétimo maior destino das exportações brasileiras de carne suína, depois de Filipinas, Japão, China, Chile, Hong Kong e Singapura, segundo o Agrostat, do Ministério da Agricultura, considerando o valor das compras.

No setor de carne bovina, o México é o quinto maior cliente do Brasil, depois da China, EUA, União Europeia e Chile.

China também limitou importações

A decisão do México acontece quase uma semana depois de a China anunciar limites para a importação de carne bovina com o objetivo de proteger os produtores locais.

O país, que é o maior comprador do Brasil, anunciou a criação de cotas anuais para empresas comprarem o alimento de países estrangeiros, como o Brasil — o maior fornecedor.

Atualmente, importações de carne para a China têm taxa de 12%. Agora, o que exceder as cotas terá sobretaxa de 55%.

As medidas começaram a valer no dia 1º de janeiro de 2026, e têm duração de três anos.

Segundo o Ministério do Comércio da China, a cota total de importação para 2026 será de 2,7 milhões de toneladas. Esse limite vai aumentar ano a ano.

É um número próximo ao recorde de 2,87 milhões de toneladas compradas pela China em 2024, mas abaixo do volume importado nos primeiros 11 meses de 2025.

Fonte: Paula Salati – 06/01/2026 

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