sexta-feira, fevereiro 27, 2026
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Os e-mails íntimos do ex-príncipe Andrew e Jeffrey Epstein em meio a escândalo sexual: ‘Vamos manter contato e brincar mais em breve’

E-mails interceptados pelo Departamento de Justiça dos EUA mostram a intimidade entre o filho da Rainha Elizabeth II e o bilionário; investigação apura se Andrew usou cargo oficial para vazar dados confidenciais.

O abalo na imagem de Andrew começou com a exposição de sua amizade com Jeffrey Epstein, o bilionário americano encontrado morto na prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual.

Em um dos textos mais comprometedores, enviado após Epstein já ter cumprido pena por crimes sexuais contra menores, o príncipe escreveu ao amigo: “Parece que estamos nisso juntos. E vamos ter que superar. Vamos manter contato próximo e brincar mais em breve.”

Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA revelam a intimidade entre os dois através de diversos e-mails.

Nas mensagens, Epstein referia-se ao príncipe como “The Duke” (O Duque) ou “The Invisible Man” (O Homem Invisível).

Andrew foi detido na última quinta-feira (19) sob suspeita de má conduta em cargo público. A polícia investiga se ele enviou documentos confidenciais a Jeffrey Epstein na época em que atuava como representante comercial do Reino Unido.

Embora liberado 12 horas depois sem acusação formal, o príncipe continua sob investigação e — já sem títulos honorários ou funções oficiais — responde agora como um cidadão comum.

Ex-príncipe Andrew, envolvido no caso Epstein, virou motivo de constrangimento para a realeza britânica — Foto: Reprodução/TV Globo
Ex-príncipe Andrew, envolvido no caso Epstein, virou motivo de constrangimento para a realeza britânica — Foto: Reprodução/TV Globo

De ‘queridinho’ a vergonha da monarquia

Na juventude, ele foi um dos solteiros mais cobiçados do mundo. Herói da Guerra das Malvinas em 1982, onde pilotou helicópteros em missões de resgate, o ex-príncipe Andrew era o “queridinho” da monarquia britânica, frequentemente comparado ao galã de cinema Robert Redford.

Atualmente, o terceiro filho da Rainha Elizabeth II vive o seu momento mais sombrio: detido recentemente pela polícia britânica, ele enfrenta investigações que podem selar definitivamente sua ruína pública.

Príncipe Andrew ao lado da rainha Elizabeth, sua mãe, enquanto ele servia na Guerra das Malvinas, em 1982. À esquerda, foto de Andrew nos arquivos Epstein — Foto: Reprodução - The Royal Family Channel Youtube/Departamento de Justiça dos EUA/AP
Príncipe Andrew ao lado da rainha Elizabeth, sua mãe, enquanto ele servia na Guerra das Malvinas, em 1982. À esquerda, foto de Andrew nos arquivos Epstein — Foto: Reprodução – The Royal Family Channel Youtube/Departamento de Justiça dos EUA/AP

Principal acusadora

A principal acusadora do príncipe é a americana Virginia Giuffre. Em depoimentos e entrevistas, Virginia detalha uma rede de abusos que começou quando ela tinha apenas 17 anos.

Segundo ela, o primeiro encontro com Andrew aconteceu em um imóvel de Epstein em Londres, em uma cena que misturava a formalidade britânica com a exploração sexual. “Estávamos tomando chá: ele falava da Fergie, a ex-mulher, e eu ficava ali como sempre mandavam: sentada, quieta, sendo educada”, relembrou Virginia.

O convite para sair veio em seguida, mas não como um gesto de cortesia. “Ele me chamou para dançar e eu sabia que tinha que deixar ele satisfeito: isso era o que Jeffrey e Ghislaine esperavam de mim”. Virginia descreve o papel crucial de Ghislaine Maxwell, ex-namorada de Epstein, no aliciamento.

Durante um trajeto de carro, o tom foi direto: “No carro, Ghislaine me disse que eu tinha que fazer com o Andrew o que eu fazia com o Jeffrey. Aquilo me deu enjoo”. Segundo Virginia, foram três encontros sexuais com o príncipe: na casa de Ghislaine em Londres, na mansão de Epstein em Nova York e na ilha particular dele no Caribe.

“Ele levantou, disse ‘obrigado’ e saiu. Eu fiquei ali, horrorizada, envergonhada, me sentindo suja”, desabafou Virginia. Andrew sempre negou as acusações: “Posso afirmar, de forma absolutamente categórica, que isso nunca aconteceu”.

No entanto, em fevereiro de 2022, ele pagou cerca de 12 milhões de libras (quase R$ 84 milhões) em um acordo extrajudicial para encerrar o processo, sem nunca admitir o abuso. Virginia Giuffre se matou em abril de 2025, aos 41 anos.

Em 2025, o Rei Charles III retirou de Andrew seus títulos honorários e o tratamento de “Alteza Real”. Isolado e sem funções oficiais, o príncipe que um dia foi herói nacional agora luta para explicar à justiça britânica a profundidade de sua lealdade a Jeffrey Epstein.

Montagem - ex-príncipe Andrew no dia da prisão e em foto do arquivo de Epstein, ao lado de Virginia — Foto: Reuters/Jaimi Joy/Virginia Giuffre/ BBC
Montagem – ex-príncipe Andrew no dia da prisão e em foto do arquivo de Epstein, ao lado de Virginia — Foto: Reuters/Jaimi Joy/Virginia Giuffre/ BBC

Fonte: Fantástico – 27/02/2026

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