Casa Branca anunciou investigação sob alegação de que Brasil tem adotado práticas desleais relacionadas ao PIX e ao etanol, por exemplo. Encontro acontece em Washington (EUA).
O Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou que representantes dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se reúnem nestas quarta (15) e quinta-feira (16) em Washington (EUA) para discutir a investigação aberta pela Casa Branca contra o Brasil.
A investigação foi aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 dos Estados Unidos.
🔎A Seção 301 é um procedimento administrativo conduzido exclusivamente pelos Estados Unidos, sem caráter judicial ou semelhança com os painéis da Organização Mundial do Comércio (OMC).
A abertura da investigação comercial contra o Brasil foi anunciada em julho do ano passado pelo governo Trump, sob a alegação de que o país adota práticas econômicas desleais relacionadas ao PIX e ao etanol, por exemplo.
Na ocasião, o governo Trump também alegou que o Brasil tem adotado “há décadas” uma série de medidas para restringir o acesso de exportadores americanos ao mercado brasileiro.
Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás somente da China.
A relação entre os dois países é superavitária para os americanos, ou seja, considerando o valor agregado, os Estados Unidos mais exportam para o Brasil que importam.
O relacionamento comercial do Brasil com os Estados Unidos é marcado por predominância da economia norte-americana, segundo números da série histórica do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC
Nesse contexto, a diplomacia brasileira afirma que, apesar de declarações públicas de autoridades americanas contra o Brasil, a ordem é negociar a questão comercial e chegar a um consenso.
Desde o ano passado o presidente Lula e Donald Trump se falaram pessoalmente e por telefone, assim como o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, chefe da diplomacia do governo Trump.
Em linhas gerais, o governo brasileiro vem dizendo ser a favor das negociações com representantes da Casa Branca, do Departamento de Estado, do Tesouro americano e também do escritório do representante comercial.
Paralelamente, contudo, o Congresso Nacional aprovou a chamada Lei da Reciprocidade Econômica, caso o Brasil decida adotar medidas econômicas para proteger produtos brasileiros diante de produtos americanos.
Quem participa?
De acordo com o Itamaraty, do lado brasileiro, participam das reuniões em Washington representantes de vários ministérios, entre eles:
- Phillip Fox Gough, secretário de Assuntos Econômicos do Itamaraty;
- Maurício Lyrio, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do MRE (ex-secretário de Assuntos Econômicos e que atuou como negociador-chefe do Brasil no G20 e no Brics).
Encontro na ONU mudou relação entre Trump e Lula
Ao longo do ano passado, Trump fez uma série de ameaças ao Brasil, afirmando, por exemplo, que adotaria medidas econômicas contra o país em razão do processo ao qual o ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.
Enquanto as ameaças de Trump tinham esse tema como base, o governo brasileiro não aceitou negociar, entendendo que era uma questão de soberania.
Entretanto, após um rápido encontro entre Lula e Trump em setembro, num corredor na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), Trump disse ter sentido uma “química” com Lula.
Desde então, segundo relatos obtidos pela Globonews, as conversas entre representantes dos dois governos passou a fluir.
Fonte: Filipe Matoso, GloboNews — Brasília – 15/04/2026



