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Agência alerta para risco de colapso no mercado de petróleo

Guerra no Oriente Médio provoca retirada de 14 milhões de barris por dia do mercado e faz entidade abandonar previsão de excesso de oferta para 2026

A escalada militar envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel colocou o mercado global de petróleo sob forte pressão e reacendeu o temor de uma crise energética mundial. Em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio, a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) revisou drasticamente suas projeções e passou a prever um cenário de déficit severo de oferta já a partir de 2026.

Segundo relatório divulgado nesta quarta-feira (13), a agência afirma que o mundo enfrenta uma retirada “sem precedentes” de petróleo do mercado internacional, impulsionada por perdas de produção no Golfo Pérsico e pelas restrições no Estreito de Ormuz, principal corredor marítimo de transporte de petróleo do planeta.

A nova estimativa aponta que mais de 14 milhões de barris por dia estão temporariamente fora do mercado. Com isso, a IEA abandonou a expectativa de superávit para 2026 e agora projeta déficit de 1,78 milhão de barris diários ao longo do próximo ano.

Preço do petróleo dispara e estoques globais encolhem

O impacto da crise já é sentido nos preços internacionais. O barril do petróleo ultrapassou os US$ 100 após ataques contra instalações energéticas iranianas e o bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, rota por onde circula cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo.

De acordo com a IEA, os estoques globais estratégicos e comerciais tiveram uma redução recorde de 246 milhões de barris apenas entre março e abril. Em resposta, países membros da agência coordenaram a liberação emergencial de 400 milhões de barris de reservas estratégicas, a maior operação do tipo já realizada.

Até agora, cerca de 164 milhões de barris já foram colocados no mercado. Ainda assim, analistas avaliam que a medida apenas reduz temporariamente os efeitos de uma crise considerada estrutural.

Estreito de Ormuz se torna principal foco de tensão

A insegurança no Estreito de Ormuz elevou os custos de seguro marítimo e levou empresas de navegação a evitarem a região. Mesmo sem um bloqueio formal completo, o fluxo de petroleiros caiu drasticamente nas últimas semanas.

A IEA trabalha com a possibilidade de retomada gradual do tráfego marítimo a partir do terceiro trimestre deste ano. Ainda assim, a agência avalia que o mercado permanecerá “severamente desabastecido” até pelo menos o fim do terceiro trimestre de 2026.

No cenário mais crítico, o déficit entre oferta e demanda pode atingir 6 milhões de barris por dia já no segundo trimestre deste ano.

Guerra também reduz consumo global

Além de afetar a oferta, a guerra começa a impactar a demanda mundial por combustíveis. A desaceleração econômica e a alta dos preços da energia devem provocar retração de 420 mil barris diários no consumo em 2026, segundo a nova projeção da IEA.

Os setores mais afetados são aviação e petroquímica, altamente dependentes de derivados de petróleo e mais vulneráveis ao aumento dos custos operacionais.

Mercado teme nova onda inflacionária global

A disparada do petróleo também elevou o alerta entre bancos centrais e governos, que temem uma nova rodada de inflação semelhante à registrada após a guerra entre Rússia e Ucrânia, em 2022.

O encarecimento dos combustíveis pressiona custos de transporte, alimentos, fertilizantes, energia elétrica e cadeias industriais em diversos países.

Nos Estados Unidos, a Casa Branca discute medidas emergenciais para reduzir o impacto da alta da gasolina sobre os consumidores em ano eleitoral. Na Europa, governos acompanham com preocupação o aumento da vulnerabilidade energética do continente.

Especialistas apontam que a crise pode acelerar investimentos em fontes renováveis, energia nuclear e mudanças nas cadeias globais de suprimento. No curto prazo, porém, o mercado segue diretamente dependente da evolução do conflito no Oriente Médio.

Fonte: Giordanna Pinheiro, Veja Negócios – 14/05/2026

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