Presidente brasileiro também lamentou o enfraquecimento da ONU e sugeriu convocação de lideranças para tratar junto à entidade sobre o que chamou de ‘destruição do multilateralismo’.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou neste sábado (18) líderes mundiais por guerras e invasões e afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não pode excluir a África do Sul do G20.
“Nós não podemos levantar todo dia de manhã e dormir todo dia à noite com um tweet de um presidente da República ameaçando o mundo, fazendo guerra” disse.
Nesse contexto, Lula citou a guerra no Oriente Médio, citou as investida americana contra o Irã, e questionou se são os pobres que vão pagar pela “irresponsabilidade de guerras”.
O petista disse ainda estar preocupado com a situação de Cuba e pediu o fim do bloqueio petrolífero imposto pelos EUA à ilha.
“O que não pode é o mundo gastando 2 trilhões e 700 bilhões de dólares em armas e o povo passando fome”, emendou.
Lula também lamentou o enfraquecimento da Organização das Nações Unidas (ONU) e fez um apelo a chefes de Estado por uma maior participação nas discussões junto à entidade.
“É importante que a gente aprenda uma lição muito séria. A ONU é um instrumento muito valioso se ela funcionar e ela precisa funcionar para garantir, por exemplo, que as plataformas sejam reguladas no mundo inteiro”, afirmou Lula.
“Vamos brigar, [Cyril] Ramaphosa, para você ir para o G20 nos Estados Unidos, porque o presidente americano não tem o direito de tirar você do G20, porque ele não é dono do G20. Então, se prepare para você ir aos Estados Unidos ficar lá na porta para entrar no G20”, disse em outro momento.
O petista se referia a uma fala de Trump de novembro do ano passado. Na ocasião, Donald Trump afirmou que não convidaria a África do Sul para o encontro — previsto para dezembro deste ano, em Miami, Flórida (leia mais abaixo).
🔎O G20 é um fórum internacional que reúne as principais economias desenvolvidas e emergentes do mundo para discutir temas ligados à economia global e à governança internacional. O grupo foi criado em 1999 e a África do Sul é membro permanente desde a sua criação.
Sem apresentar provas, Donald Trump afirmou que haveria um “genocídio” de fazendeiros brancos no país — acusação negada pelo governo sul‑africano e considerada falsa por especialistas e autoridades internacionais.
Trump também boicotou a cúpula do G20 realizada na África do Sul em 2025 e anunciou a suspensão de subsídios americanos ao país, o que aprofundou a crise diplomática entre Washington e Pretória.
O presidente sul‑africano, Cyril Ramaphosa, reagiu dizendo que a África do Sul é um país soberano e que nenhum membro isolado pode decidir sozinho sobre a exclusão de integrantes do grupo
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Convocação geral
A declaração de Lula foi dada na 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum Democracia Sempre, em Barcelona, na Espanha.
Na ocasião, o presidente brasileiro ainda sugeriu que o documento fruto do encontro na Espanha contivesse uma convocação geral para se discutir o multilateralismo na ONU.
“Eu eu acho que é isso que a gente deve tentar colocar no o documento: uma convocação geral para discutir o que está acontecendo no mundo hoje com a destruição do multilateralismo. Vai prevalecer a força do senhor da guerra. O cidadão falando todo dia porque tem mais dinheiro, porque tem mais tecnologia. [Ele] pode fazer tudo? Não é possível”, argumentou.
A 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum Democracia Sempre reúne chefes de Estado e de governo de diferentes regiões do mundo para debater o fortalecimento das instituições democráticas e os principais desafios globais à governança.
Criado em 2024 por iniciativa de líderes progressistas, entre eles Lula e o espanhol, Pedro Sánchez, o Fórum Democracia Sempre busca ampliar a articulação internacional em defesa da democracia diante do avanço de movimentos autoritários e extremistas em diferentes países.
A edição deste ano ocorre em meio a conflitos armados em diferentes regiões, como no Oriente Médio, e ao aumento das tensões políticas internacionais, incluindo embates envolvendo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Fonte: Mariana Laboissière, g1 — Brasília – 18/04/2026



