Sabrina Pasterski, que chamou a atenção de Stephen Hawking ainda no início da carreira, pesquisa uma forma de descrever problemas complexos da física em apenas duas dimensões.
Desde criança, Sabrina Pasterski, de 33 anos, olha para o céu em busca de respostas. Aos 9 anos, fã de Harry Potter, ela sonhava em ganhar uma vassoura voadora. Aos 12, recebeu dos pais um presente que transformaria sua curiosidade em um projeto científico: um kit para montar um avião monomotor.
Quatro anos depois, aos 16, ela fez seu primeiro voo solo.
A trajetória, que começou em uma escola pública de Chicago, levou Sabrina ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), à Universidade Harvard e a estágios em empresas como Boeing, Nasa e Blue Origin. Um de seus primeiros trabalhos publicados também chamou a atenção do astrofísico britânico Stephen Hawking.
Hoje, a física americana é conhecida pelo apelido de “Nova Einstein” e se dedica a uma questão que está entre os grandes desafios da física moderna: como aproximar duas teorias fundamentais para a compreensão do universo — a relatividade e a física quântica.
Da paixão por aviões às leis do universo
A paixão de Sabrina pelos ares começou cedo. Quando ganhou o kit para montar um avião, transformou a atividade em uma espécie de projeto para uma feira de ciências. Enquanto construía a aeronave, também gravava vídeos explicando leis da física e citando seus dois grandes ídolos: Isaac Newton e Albert Einstein.
Aos 16 anos, finalmente conseguiu decolar sozinha — e pousou sem problemas.
A experiência ajudou a abrir portas para o MIT, que inicialmente havia negado uma vaga para ela. Depois, Sabrina fez doutorado em Harvard e passou a chamar a atenção de pesquisadores e instituições ligadas à aviação e ao setor espacial.
Apesar do fascínio pelos aviões, o objetivo de Sabrina era outro: entender as leis que regem o universo.
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O desafio que Einstein deixou
A teoria da relatividade, formulada por Einstein, mudou a maneira como a humanidade entende espaço e tempo. Em vez de serem grandezas fixas, eles estão relacionados e podem variar dependendo do observador.
A teoria organiza o universo em quatro dimensões: três espaciais — largura, altura e comprimento — e uma temporal. É o chamado espaço-tempo.
“O que o Einstein fala é que a gente também tem que pensar sobre o tempo como uma quarta parte do nosso espaço.”
O problema é que a física moderna também precisa lidar com outro universo de regras: o mundo das partículas microscópicas, descrito pela física quântica.
Essa teoria está por trás do funcionamento de diversas tecnologias presentes no cotidiano, como celulares, computadores e fones de ouvido. Mas juntar a relatividade e a física quântica em uma única descrição é um dos grandes desafios da ciência atual.
A matemática envolvida é tão complexa que, segundo a explicação apresentada no material, nem mesmo os computadores mais modernos seriam capazes de resolver diretamente algumas dessas equações.
É nesse ponto que entra a pesquisa de Sabrina.
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O que é o ‘holograma celestial’?
Sabrina trabalha com uma ideia chamada holografia celestial.
A proposta é usar uma descrição matemática em duas dimensões para representar processos que acontecem em um universo de quatro dimensões — o espaço-tempo. A ideia é criar uma espécie de novo ponto de vista para problemas extremamente complexos.
É parecido com o princípio de um holograma: a imagem pode parecer tridimensional, embora as informações utilizadas para representá-la estejam organizadas em duas dimensões.
No trabalho de Sabrina, essa representação é feita por meio de uma chamada esfera celeste.
A astrofísica Lia Medeiros, da Universidade de Wisconsin, em Milwaukee, explica que a proposta permite descrever matematicamente fenômenos que ocorrem no espaço-tempo de quatro dimensões usando uma estrutura em duas dimensões.
O projeto é liderado por Sabrina no Instituto Perimeter de Física Teórica, em Waterloo, no Canadá.
Segundo ela, o objetivo é investigar se existe, na fronteira de um sistema gravitacional, outro sistema dinâmico que apresente uma física equivalente e no qual seja possível realizar cálculos.
Por enquanto, trata-se de descrições matemáticas — uma tentativa de encontrar uma maneira mais simples de enxergar problemas extremamente complexos.
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Uma busca que começou olhando para o céu
A história de Sabrina tem uma característica que atravessa sua trajetória: a curiosidade.
A menina que queria uma vassoura voadora, construiu um avião e fez um voo solo aos 16 anos acabou escolhendo investigar questões que estão entre as mais profundas da ciência: como o universo funciona e qual é o nosso lugar nele.
Para Sabrina, esse tipo de busca não pertence a uma pessoa ou a um país.
É parte de uma tentativa humana, que atravessa gerações, de compreender o espaço e o próprio lugar da humanidade no universo.
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Fonte: Fantástico – 13/08/2026




