quarta-feira, maio 13, 2026
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Anvisa diz que fiscalização que suspendeu produtos da Ypê tem conexão com caso de bactéria achada em novembro

Em inspeção feita em abril, fiscais identificaram falhas no controle microbiológico da fábrica em Amparo (SP). A agência não cita nova detecção da bactéria, mas apontou risco sanitário pelas fragilidades no processo de produção.

A inspeção que levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a suspender a fabricação e determinar temporariamente o recolhimento de produtos da Ypê tem conexão com um “histórico de contaminação microbiológica” registrado na empresa em novembro de 2025.

A informação foi confirmada ao g1 pela agência na quinta-feira (7).

Em novembro do ano passado, a fabricante havia anunciado um recolhimento voluntário cautelar de lotes após identificar a bactéria Pseudomonas aeruginosa exclusivamente em lava-roupas líquidos.

“A inspeção recente foi realizada justamente em razão do histórico de contaminação microbiológica e de novos elementos que indicavam necessidade de reavaliar as condições de fabricação”, afirmou a agência ao g1.

O novo recolhimento de produtos incluía todos os lotes com numeração final 1 de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes fabricados na unidade da Química Amparo, em Amparo, no interior de São Paulo. No entanto, o recolhimento foi suspenso na sexta-feira (8) após a Ypê recorrer à Anvisa.

Segundo a Anvisa, a inspeção atual foi realizada entre os dias 27 e 30 de abril de 2026, em ação conjunta com o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo (CVS-SP), o Grupo de Vigilância Sanitária de Campinas e a Vigilância Sanitária municipal de Amparo.

Os fiscais avaliaram principalmente as linhas de produtos líquidos — lava-louças, lava-roupas e desinfetantes fabricados na mesma unidade.

Pseudomonas aeruginosa com pigmento fluorescente em luz UV — Foto: BiotechMichael/Divulgação
Pseudomonas aeruginosa com pigmento fluorescente em luz UV — Foto: BiotechMichael/Divulgação

A Anvisa identificou descumprimentos relevantes das chamadas Boas Práticas de Fabricação, como fragilidades nos sistemas de garantia da qualidade, controle de qualidade, limpeza, sanitização, validação e controle microbiológico.

Esses são, segundo a agência, aspectos diretamente relacionados à prevenção de desvios microbiológicos, ou seja, de falhas que permitem a contaminação dos produtos por microrganismos.

📝ENTENDA: As Boas Práticas de Fabricação (BPF) da Anvisa são um conjunto de normas, princípios e procedimentos técnicos obrigatórios que garantem a segurança, qualidade e eficácia de produtos como medicamentos, alimentos, cosméticos e saneantes.

Elas atuam preventivamente em toda a cadeia produtiva para evitar contaminações e riscos à saúde do consumidor.

Apesar da conexão técnica entre os dois episódios, a Anvisa esclareceu que a decisão atual está fundamentada nos achados da inspeção de abril, e não no caso de novembro de 2025, que compõe o histórico regulatório considerado na avaliação de risco.

⚠️ Questionada se há risco de contaminação microbiológica nos produtos atingidos pela medida desta semana, a agência respondeu que foi identificado risco sanitário associado à possibilidade de contaminação, considerando o conjunto dos achados.

As medidas adotadas e paralisadas — recolhimento, suspensão da fabricação, da comercialização, da distribuição e do uso — foram classificadas pela agência como preventivas proporcionais.

Após o episódio de novembro, a Anvisa acompanhou o recolhimento voluntário e recebeu da empresa informações sobre as quantidades recolhidas e a destinação dos produtos.

O caso seguiu em monitoramento sanitário, o que motivou a nova inspeção para avaliar se as Boas Práticas de Fabricação estavam sendo cumpridas e se as medidas tomadas pela empresa eram efetivas.

O que diz a Ypê

Na última quinta, a Ypê manifestou “indignação com a decisão“, classificou a medida como “arbitrária e desproporcional” e informou que vai recorrer.

A empresa afirma ter laudos de análises independentes que comprovam que os produtos são “totalmente seguros e adequados para consumo“.

Fábrica da Ypê em Amparo (SP) — Foto: Ypê/Divulgação
Fábrica da Ypê em Amparo (SP) — Foto: Ypê/Divulgação

Quem são os imunossuprimidos

São pessoas cujo sistema de defesa do organismo está enfraquecido, seja por doenças ou por tratamentos. Entram nesse grupo, por exemplo:

  • Pacientes em tratamento contra o câncer (quimioterapia, radioterapia)
  • Pessoas transplantadas que usam imunossupressores
  • Pessoas com HIV/aids sem controle adequado
  • Pacientes em uso prolongado de corticoides ou outros imunossupressores
  • Pessoas com doenças autoimunes em tratamento

Nesses casos, microrganismos que normalmente não causariam problema podem representar um risco maior.

De acordo com a MSD, as infecções ocorrem com mais frequência e tendem a ser mais severas em pessoas que:

  • Estão enfraquecidas (debilitadas) por certos distúrbios graves
  • Têm diabetes ou fibrose cística
  • Estão hospitalizadas
  • Têm um distúrbio que enfraquece o sistema imunológico, como infecção avançada pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)
  • Tomam medicamentos para suprimir o sistema imunológico, como aqueles usados para tratar câncer ou para evitar a rejeição de um órgão transplantado
Anvisa determinou suspensão da fabricação e recolhimento de produtos da marca Ypê — Foto: Divulgação
Anvisa determinou suspensão da fabricação e recolhimento de produtos da marca Ypê — Foto: Divulgação

O que diz a empresa sobre os riscos

No comunicado divulgado em novembro, a fabricante afirmou que:

  • O uso normal do produto, diluído na água da máquina de lavar, reduz drasticamente qualquer carga bacteriana
  • Não há registro na literatura médica de infecção causada por roupas lavadas com detergentes domésticos, mesmo em cenários de contaminação
  • A bactéria não se volatiliza, não é transportada por fragrâncias e não oferece risco por inalação
  • O maior cuidado deve ser evitar contato direto e prolongado do produto concentrado com a pele, especialmente em pessoas imunossuprimidas com feridas abertas

A orientação é lavar as mãos após o manuseio e garantir que as roupas estejam bem enxaguadas e secas antes do uso.

Fonte: Roberto Peixoto, g1 – 08/05/2026

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