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Canetas emagrecedoras podem causar boca seca e mau hálito; entenda

Canetas emagrecedoras à base de semaglutida e tirzepatida podem provocar alterações na saúde bucal, como boca seca, mudança no paladar e mau hálito.

Medicamentos como semaglutida, princípio ativo do Ozempic, e tirzepatida, presente no Mounjaro, são utilizados principalmente no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Com o aumento do uso dessas substâncias, outros efeitos colaterais além da perda de peso e do controle da glicemia passaram a receber atenção.

Entre eles estão manifestações que podem atingir a boca. Revisões recentes identificaram relatos de xerostomia, conhecida como boca seca, alteração do paladar e halitose, o chamado mau hálito, em pessoas que utilizam esses medicamentos.

Isso não significa, porém, que as substâncias provoquem diretamente o mau hálito em todos os pacientes. O quadro pode resultar de uma combinação de mudanças provocadas pelo tratamento.

POR QUE O HÁLITO PODE MUDAR?

A saliva exerce uma função importante na proteção da boca. Ela ajuda a remover resíduos, manter a umidade da cavidade oral e controlar a multiplicação de microrganismos.

Quando a produção salivar diminui, essas funções ficam prejudicadas. O resultado pode ser maior concentração de bactérias e de compostos associados ao mau odor.

A redução do consumo de alimentos e líquidos também pode contribuir. Como algumas pessoas passam a comer e beber menos durante o tratamento, a boca pode ficar mais seca e o ambiente bucal pode sofrer alterações.

CETOSE TAMBÉM PODE INTERFERIR

Outra possibilidade está relacionada à alimentação. Quando a ingestão de carboidratos diminui significativamente, o organismo passa a utilizar mais gordura como fonte de energia.

Nesse processo, são produzidos corpos cetônicos, substâncias que podem ser eliminadas pela respiração e modificar o odor do hálito.

Por isso, mudanças na alimentação durante o tratamento também podem participar da explicação para o aparecimento ou intensificação da halitose.

REFLUXO E VÔMITOS EXIGEM ATENÇÃO

Os efeitos gastrointestinais são outro ponto importante. Medicamentos dessa classe podem retardar o esvaziamento do estômago e, em alguns pacientes, provocar náuseas, vômitos, arrotos e refluxo.

Quando o conteúdo ácido do estômago retorna repetidamente para a boca, o esmalte dos dentes pode ser afetado.

A exposição frequente ao ácido pode provocar erosão do esmalte, aumentar a sensibilidade e favorecer o desgaste dental. O refluxo também pode contribuir para alterações no hálito.

COMO PROTEGER A SAÚDE BUCAL

Pessoas que já apresentam cáries, gengivite, doença periodontal ou tendência à boca seca podem precisar de cuidados adicionais durante o tratamento.

Alguns sinais merecem atenção, como:

  • dentes mais sensíveis;
  • sangramento nas gengivas;
  • sensação de ardência na boca;
  • língua esbranquiçada;
  • boca persistentemente seca;
  • alteração ou piora do hálito.

A higiene diária continua sendo uma das principais formas de prevenção. Manter uma boa hidratação, escovar os dentes com creme dental fluoretado, utilizar fio dental e fazer a limpeza da língua ajudam a preservar o equilíbrio da boca.

Produtos destinados a estimular a produção de saliva também podem ser considerados em casos de xerostomia, mas a indicação deve ser avaliada individualmente.

CUIDADO APÓS VÔMITOS E REFLUXO

Depois de vomitar ou apresentar um episódio de refluxo, não é recomendável escovar os dentes imediatamente.

O ácido presente no conteúdo gástrico pode deixar temporariamente o esmalte mais vulnerável. A escovação logo após o contato com o ácido pode aumentar o desgaste mecânico da superfície dental.

Uma alternativa é enxaguar a boca com água e esperar algum tempo antes de realizar a escovação.

NEM TODO USUÁRIO TERÁ OS SINTOMAS

O aparecimento de boca seca, alteração do paladar ou mau hálito não é uma consequência obrigatória do uso de semaglutida, tirzepatida ou outros medicamentos utilizados em canetas para controle do peso e do diabetes.

A saúde bucal é influenciada por diversos fatores. No caso desses tratamentos, os sintomas podem estar relacionados às alterações gastrointestinais, à alimentação, à hidratação e à salivação.

Por isso, a presença de mau hálito ou qualquer outra mudança persistente na boca deve ser avaliada individualmente. Acompanhamento médico e odontológico ajuda a identificar a causa do problema e definir a melhor forma de cuidado durante o tratamento.

Fonte: Sales Coimbra, Viver Bem/UOL – 06/10/2026

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