Atacante sofreu uma parada cardíaca depois de uma forte colisão com o goleiro adversário e chegou a ser reanimado em campo. O quadro neurológico piorou e ele acabou não resistindo.
Após uma forte colisão com o goleiro do time adversário, o atacante Jesús de Miguel, do time espanhol Tenerife, sofreu uma parada cardíaca e caiu desacordado no campo. Apesar de ter sido reanimado, sua morte foi confirmada na manhã desta terça-feira (3).
Segundo especialistas, a principal suspeita da causa da morte é conhecida como commotio cordis, expressão em latim que significa agito no coração.
➡️A commotio cordis é um quadro raro e grave que pode acontecer após um impacto repentino no tórax. De acordo com a American Heart Association, o golpe físico pode interromper os batimentos cardíacos e causar uma parada cardíaca súbita.
Antonio Carlos Avanza, presidente do Departamento de Ergometria, Exercício, Cardiologia Nuclear e Reabilitação Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), explica que não necessariamente a pancada precisa ser tão forte, porque o quadro depende do ciclo cardíaco.
“Às vezes você não tem uma fratura, pode ser uma pancada menor, uma joelhada, uma bolada não tão intensa, mas que se pega no momento de uma alteração eletrofisiológica, leva a uma arrtimia cardíaca e a uma parada”, detalha.
No caso de Jesús Miguel, o atleta chegou a ser atendido e reanimado em campo, levado ao hospital, mas o quadro neurológico piorou e ele não resistiu. (entenda mais abaixo)
Quadros semelhantes aconteceram em esportes de maior impacto, como o futebol americano. Foi o caso do jogador Damar Hamlin, em 2023, que também precisou ser reanimado após um choque em uma partida da NFL.
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Dano neurológico
Por se tratar de um quadro grave, a rapidez no atendimento é essencial para garantir a sobrevivência do paciente.
“O socorro tem que chegar nesse paciente em no máximo três minutos. Senão, nós podemos não conseguir reanimá-lo e levar a uma situação de lesões neurológicas irreversíveis”, comenta Avanza.
Jesús foi reanimado em campo após a parada respiratória e internado para acompanhamento do jogador, mas o quadro neurológico piorou ao longo da madrugada e o atleta faleceu na manhã desta terça.
👉Uma vez que a condição é desencadeada a partir de um impacto no tórax, mesmo pessoas jovens, saudáveis e sem problemas cardiovasculares correm risco de sofrer de commotio cordis.
Avanza explica que as consequências neurológicas acontecem pela quantidade insuficiente de oxigênio que chega aos tecidos e células do corpo, condição conhecida como hipóxia.
“Em uma parada cardíaca, o coração para momentaneamente de bombear sangue para o corpo inteiro, inclusive para o cérebro. O dano neurológico pode acontecer porque as células do cérebro são muito sensíveis, e sem oxigênio, pode acontecer a morte de células nervosas”, detalha.
Dependendo do local afetado, o dano cerebral pode ser irreversível, levando à morte.
Possível dano estrutural
Além do dano neurológico decorrente da falta de oxigenação do cérebro por causa da parada cardíaca, uma outra possibilidade levantada pelos especialistas é que o atleta tenha sofrido também uma lesão estrutural no coração – chamada de contusio cordis.
➡️A contusio cordis é caracterizada por hemorragias e necrose provocadas por um traumatismo no córtex, isto é, uma lesão direta no músculo do coração.
“Um trauma toráxico direto pode acontecer por fratura de uma costela, perfuração, com lesão do coração”, comenta Avanza.
Para ele, além da lesão elétrica, com a interrupção dos batimentos cardíacos (commotio cordis), é possível que o quadro do atleta tenha se agravado também por uma possível lesão estrutural.
Fonte: Júlia Carvalho, g1 – 03/11/2026




