País tinha 5,8 milhões de desempregados no trimestre encerrado em agosto. Indústria e construção impulsionaram o crescimento da ocupação.
A taxa de desemprego ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto deste ano. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada nesta terça-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado representa uma queda de 0,3 ponto percentual (p.p.) tanto em relação aos três meses encerrados em maio quanto na comparação com o mesmo período de 2025 — ambos com taxas de 5,6%.
Ainda segundo o IBGE, o país tinha 5,8 milhões de pessoas desocupadas no trimestre até agosto, uma redução de 4,6% (menos 281 mil pessoas) em relação aos três meses de março a maio, quando havia 6,1 milhões de desempregados. O número também caiu 4,9% em relação ao mesmo período de 2025, uma redução de 300 mil pessoas.
A população ocupada, por sua vez, atingiu 103,5 milhões de pessoas, o maior nível da série histórica. O número representa uma alta de 0,8% no trimestre (mais 774 mil pessoas) e de 1% no ano (mais 1,1 milhão).
Segundo o analista da Pnad William Kratochwill, os setores que impulsionaram esse crescimento foram a indústria e a construção.
“A indústria passou por um período de redução no último ano, teve alguma estabilidade e, agora, volta a apresentar crescimento. Esse recorte já reflete um momento em que o mercado consegue avaliar o desempenho do ano e começa a colocar em prática o planejamento para o segundo semestre”, explica o especialista.
Segundo Kratochwill, a indústria tende a se movimentar antes dos períodos de vendas mais fortes no comércio, pois as empresas precisam aumentar a produção e os estoques para atender à demanda. O analista também destacou que os níveis elevados de emprego e rendimento ajudam a sustentar as perspectivas de consumo.
O nível de ocupação, que representa o percentual de pessoas em idade de trabalhar que estão ocupadas, foi de 58,9%. O indicador avançou 0,3 p.p. em relação ao trimestre anterior (58,6%) e ficou estável na comparação anual (58,8%).
A taxa composta de subutilização ficou em 13,1%, relativamente estável em relação ao trimestre anterior (13,3%) e 1 p.p. abaixo do registrado há um ano (14,1%). A população subutilizada ficou em 15 milhões no trimestre até agosto, também estável frente aos três meses anteriores e 6,5% menor do que no mesmo período do ano passado (menos 1 milhão de pessoas).
- A taxa composta de subutilização mostra a parcela de pessoas que poderiam trabalhar mais, mas não conseguem. Ela inclui os desempregados, quem trabalha menos horas do que gostaria e pessoas que gostariam de trabalhar, mas não procuraram emprego ou não estavam disponíveis para começar a trabalhar.
Veja os principais destaques da pesquisa:
- Taxa de desocupação: 5,3%
- População desocupada: 5,8 milhões de pessoas
- População ocupada: 103,5 milhões
- População fora da força de trabalho: 66,4 milhões
- População desalentada: 2,4 milhões
- Empregados com carteira assinada (sem incluir trabalhadores domésticos): 39,5 milhões
- Empregados sem carteira assinada: 13,7 milhões
- Trabalhadores por conta própria: 26,1 milhões
A população fora da força de trabalho alcançou 66,4 milhões de pessoas, ficando estável no trimestre e registrando alta de 0,9% na comparação anual (mais 561 mil pessoas).
Já a população subocupada por insuficiência de horas ficou em 4,3 milhões, estável no trimestre e 6,2% menor no ano (menos 286 mil pessoas). O grupo reúne pessoas que trabalham menos horas do que gostariam e estão disponíveis para trabalhar mais.
A população desalentada chegou a 2,4 milhões de pessoas, ficando estável no trimestre e recuando 11,9% no ano (menos 317 mil pessoas). O percentual de desalentados foi de 2,1% no período.
- 🔎 Os desalentados são pessoas que gostariam de trabalhar, mas desistiram de procurar emprego por acreditarem que não encontrariam uma vaga, por falta de qualificação ou de oportunidades na região onde moram, por exemplo.
Carteira assinada segue no nível mais alto
O número de empregados no setor privado com carteira assinada, sem considerar trabalhadores domésticos, também permaneceu em nível recorde no trimestre até agosto.
Segundo o IBGE, eram 39,5 milhões de trabalhadores com carteira assinada no período, o maior contingente da série. O número ficou estável tanto no trimestre quanto no ano.
Já o número de empregados sem carteira no setor privado ficou em 13,7 milhões, enquanto o de trabalhadores por conta própria chegou a 26,1 milhões e o de trabalhadores domésticos, a 5,5 milhões. Em todos os casos, houve estabilidade no trimestre e no ano.
O rendimento real habitual de todos os trabalhos ficou em R$ 3.777, estável em relação ao trimestre anterior e 3,7% maior na comparação anual. Já a massa de rendimento real habitual alcançou R$ 385,6 bilhões, o maior nível da série, com alta de 1,4% no trimestre (mais R$ 5,2 bilhões) e de 4,8% no ano (mais R$ 17,5 bilhões).
Informalidade fica em 37,5%
Ainda segundo o IBGE, a taxa de informalidade ficou em 37,5% da população ocupada, o equivalente a 38,8 milhões de trabalhadores informais.
A taxa era de 37,3% no trimestre encerrado em maio, quando havia 38,3 milhões de trabalhadores informais. No mesmo período do ano passado, estava em 38%, com 38,9 milhões de trabalhadores nessa situação.
*Esta reportagem está em atualização
Fonte: Isabela Bolzani, g1 — São Paulo – 29/09/2026




