A coronel Glauce Anselmo Cavalli, primeira mulher a chefiar a corporação em quase 200 anos, tomou posse nesta quarta (29) e prometou ampliar o atendimento às vítimas; troca no comando ocorre após casos de violência policial no estado.
A coronel Glauce Anselmo Cavalli assumiu nesta quarta-feira (29) o comando-geral da Polícia Militar de São Paulo com a promessa de priorizar o enfrentamento à violência doméstica e familiar e reforçar a atuação da corporação em três frentes: prevenção, repressão imediata e atendimento de emergência.
No discurso de posse, que contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), a comandante destacou que pretende ampliar o acolhimento às vítimas de violência, inclusive com novas ferramentas dentro da estrutura da corporação.
“O enfrentamento à violência doméstica e familiar será prioridade operacional no nosso comando”, afirmou.
“Os casos ocorrem, na maioria das vezes, dentro de casa, longe dos olhos dos patrulheiros”, disse, ao defender ações voltadas à mudança de comportamento e incentivo à denúncia.
Entre as medidas anunciadas estão a ampliação do atendimento por videochamadas e a criação de espaços específicos dentro dos quartéis.
“Abriremos os nossos quartéis para acolher essas vítimas com a implementação de espaços lilases nas salas de operações, para garantir acolhimento humanizado em todo o estado”, disse.
Primeira mulher a liderar a PM paulista em quase dois séculos de história, Glauce afirmou ainda que a nova função representa um marco coletivo dentro da instituição.
“Ser a 1ª mulher no comando da PM em quase 200 anos não é uma vitória pessoal, mas uma vitória de todas as policiais militares mulheres. Se hoje estou aqui é porque nunca caminhei sozinha. Que essa conquista histórica não represente um ponto de chegada, mas um novo marco”, disse.
Combate ao feminicídio
A cerimônia foi conduzida pelo governador Tarcísio de Freitas, que atribuiu à nova comandante a missão de combater o feminicídio e melhorar a sensação de segurança no estado.
Em discurso na Academia de Polícia Militar do Barro Branco, Tarcísio exaltou as qualidades da coronel Glauce Anselmo Cavalli e cobrou indiretamente que a PM enquadre os policiais violentos, que fogem das normas de abordagem e cometem crimes no exercício da profissão.
“Se houver mais ousadia do crime, haverá mais trabalho, mais investimentos em tecnologia e equipamentos para que a gente não desampare a população. Pra que a gente possa transmitir ao cidadão a sensação de segurança sempre observando os nossos procedimentos e sempre observando a norma. É isso que garante a segurança”, declarou.
A fala do governador é um recado ao novo comando geral da corporação, que foi substituído depois de vários casos de violência policial dentro da PM nesse início de ano.
Dois delas são a morte da PM Gisele Alves Santana supostamente pelo tenente-coronel Geraldo Neto e também o assassinato de Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, durante abordagem no bairro Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo, pela soldado Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos.
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Apesar dos episódios marcantes de violência policial, o governador destacou em seu discurso o trabalho do coronel José Augusto Coutinho, que estava no posto desde abril do ano passado e foi substituído.
Coutinho é investigado pelo Ministério Público por suposta omissão envolvendo PMs ligados à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), mas, para Tarcísio, ele foi responsável pela queda dos índices de criminalidade atuais do estado.
“Ano passado a gente teve 163 cidades do estado sem um roubo sequer. E isso é extremamente significativo e faz parte de um trabalho profissional e de formação continuada”, disse.
“Comandantes novos trazem ideias novas. Transmitem ideias, perpetuam tradições. E no dia de hoje é dia de agradecer o coronel Coutinho por todo trabalho profissional e árduo, que coroou uma trajetória de excelência na Polícia Militar do Estado de SP. O seu trabalho permitiu que tivéssemos os menores indicadores criminais da história do estado de São Paulo. E isso é extremamente significativo, porque não vai existir progresso sem ordem. Muito obrigado por tudo, coronel. Minha gratidão e continência”, destacou Tarcísio.
Fonte: João de Mari, g1 SP — São Paulo – 29/04/2026



