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STF manda prender Ricardo Magro e incluir nome do empresário na lista vermelha da Interpol

Paradeiro do controlador da Refit, que mora há 10 anos fora do país, é desconhecido. Empresa de Magro é investigada por causar prejuízo bilionário aos cofres estaduais e federais.

O Supremo Tribunal Federal (STF) decretou a prisão preventiva do empresário Ricardo Andrade Magro, controlador do Grupo Refit, e pediu a inclusão do nome dele na Difusão Vermelha da Interpol — mecanismo internacional para captura de foragidos.

Agora, os dados de Magro estarão disponíveis para as polícias dos países-membros da maior organização policial do mundo. O grupo, antiga Refinaria de Manguinhos, é considerado um dos maiores devedores de impostos do país.

O empresário voltou a ser alvo da Polícia Federal nesta sexta-feira (15), na Operação Sem Refino, que também cumpriu mandados de busca e apreensão na casa do ex-governador do RJ, Cláudio Castro, e na sede da refinaria, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Até a última atualização desta reportagem, Magro não tinha sido encontrado. O paradeiro dele, que mora há 10 anos nos Estados Unidos, é desconhecido.

O pedido da Polícia Federal ao STF, ao qual o g1 teve acesso, faz parte de uma investigação que apura fraudes bilionárias, corrupção, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal no setor de combustíveis.

Fraude bilionária, diz PF

Segundo o documento, Ricardo Magro é apontado como líder de uma organização criminosa que teria montado um esquema sofisticado para sonegar impostoslavar dinheiro ocultar patrimônio no Brasil e no exterior.

A investigação detalha o uso de empresas de fachada, fundos de investimento, holdings e offshores em paraísos fiscais, além da cooptação de agentes públicos para garantir benefícios fiscais e decisões judiciais favoráveis.

O grupo teria causado um prejuízo de mais de R$ 52 bilhões aos cofres públicos, principalmente em ICMS não recolhido no Rio de Janeiro e em São Paulo.

O documento cita ainda a atuação do grupo junto a órgãos como a Secretaria de Fazenda do RJ, ANP, Receita Federal, Procuradoria do Estado e até membros do Judiciário, para obter vantagens e barrar concorrentes.

Esquema internacional

A PF aponta que parte dos lucros era enviada para o exterior, especialmente para empresas e fundos em Delaware (EUA), Bahamas, Malta e outros paraísos fiscais.

O dinheiro retornava ao Brasil disfarçado de investimentos ou era usado para compra de imóveis e ativos blindados contra execuções judiciais, de acordo com a investigação.

Ricardo Magro vive há mais de dez anos em Miami, nos Estados Unidos, e não retorna oficialmente ao Brasil desde 2018.

O pedido à Interpol tem como objetivo permitir a prisão dele em qualquer país membro e posterior extradição ao Brasil.

Possíveis destinos

Além dos Estados Unidos, onde Magro mantém empresas e imóveis, o documento cita Delaware, Bahamas e Malta como destinos de recursos e empresas ligadas ao grupo.

O uso de offshores e empresas em múltiplos países dificulta o rastreamento e pode permitir movimentação para outros locais onde a extradição seja mais difícil.

O caso é considerado um dos maiores esquemas de fraudes fiscais já investigados no setor de combustíveis. O pedido de prisão preventiva se baseia na gravidade dos crimes, risco de continuidade das fraudes e necessidade de garantir a aplicação da lei penal.

Se o nome de Ricardo Magro for incluído na Difusão Vermelha da Interpol, ele poderá ser preso em qualquer país membro da organização. O Brasil se comprometeu a formalizar o pedido de extradição e providenciar a tradução dos documentos necessários.

O que diz a defesa

O g1 tenta contato com a defesa de Ricardo Magro.

Fonte: Mahomed Saigg, g1 Rio e TV Globo – 15/05/2026 

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