Relatório do Coaf apontou 35 saques em dinheiro vivo que somaram R$ 11 milhões entre 2021 e 2025 e levaram à abertura de inquérito policial.
Uma denúncia anônima foi o ponto de partida para a investigação da Polícia Civil que apura suspeitas de desvios financeiros milionários no São Paulo Futebol Clube. Segundo Tiago Correia, delegado responsável pelo caso, a informação levou à abertura de um inquérito policial para apurar indícios de crimes como associação criminosa, apropriação indébita e furto qualificado.
“Nós recebemos uma denúncia dando conta de que havia uma série de desvios estruturados e sistemáticos no âmbito do São Paulo Futebol Clube”, diz Tiago Correia, o delegado responsável pela investigação.
A partir disso, a polícia deu início à apuração formal e acionou o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para analisar movimentações consideradas atípicas nas contas do São Paulo.
O relatório do Coaf apontou a realização de 35 saques em dinheiro vivo entre 2021 e 2025, que, juntos, somaram R$ 11 milhões.
Os dois primeiros saques, no valor total de R$ 600 mil, foram feitos por um ex-funcionário do clube diretamente na boca do caixa. Depois, o São Paulo passou a utilizar empresas de transporte de valores, os chamados carros-fortes, para retirar o dinheiro.
Segundo a investigação, o departamento financeiro do clube informava previamente ao banco sobre os saques de alto valor, e os recursos eram levados para a tesouraria.
Ao todo, 33 retiradas ocorreram com o uso de carros-fortes, procedimento que, de acordo com o delegado, dificulta o rastreamento da destinação final do dinheiro.
O ano de 2024 concentrou a maior parte das movimentações, com 11 saques. Já em 2025, foram identificadas cinco retiradas que somaram cerca de R$ 1,7 milhão.
Para a polícia, o principal foco agora é esclarecer por que o clube optou por grandes saques em espécie e quem recebeu os valores ao final do processo.
Um dos dirigentes citados no inquérito é Nelson Marques Ferreira, qu
A investigação aponta que ele teria adquirido cerca de 15 franquias comerciais em um curto período, o que levou à ampliação da apuração e ao acionamento do Coaf também em relação a pessoas físicas ligadas ao caso.
O inquérito ainda analisou movimentações financeiras da conta conjunta do presidente do clube, Júlio Casares, com a ex-esposa, Mara Casares. O relatório do Coaf aponta depósitos de R$ 1 milhão em dinheiro vivo entre 2023 e 2025, feitos de forma fragmentada. A polícia afirma, no entanto, que não há ligação direta entre esses depósitos e os saques realizados pelo São Paulo.
O que dizem as defesas
Em nota, a defesa de Júlio Casares disse que os valores têm origem lícita e que o presidente determinou a atuação do setor de compliance do clube para apurar eventuais irregularidades.
O advogado do São Paulo também ressaltou que o clube não é alvo da investigação e que todos os valores sacados em espécie estão devidamente contabilizados, sendo usados para despesas como pagamento de arbitragem e premiações por desempenho.
Fonte: Fantástico – 14/01/2026


