Pacientes apresentaram remissão após transplante de células-tronco e estão há mais de um ano sem medicação.
Dois novos casos de potencial cura da infecção pelo vírus HIV foram apresentados durante a 26ª Conferência Internacional sobre Aids, realizada no Rio de Janeiro. Com os novos relatos científicos, sobe para 13 o número de pacientes no mundo que alcançaram a remissão prolongada do vírus após passarem por intervenções médicas complexas.
Os dois indivíduos haviam sido submetidos a transplantes de células-tronco como parte do tratamento contra doenças graves no sangue, como a leucemia. Ambas as intervenções utilizaram doadores que carregavam uma mutação genética rara chamada CCR5-delta32, alteração que impede a entrada do HIV nas células de defesa do organismo.
Um dos casos envolve um jovem de 21 anos, identificado como “Paciente do Kansas”, que interrompeu o uso dos remédios antirretrovirais em fevereiro de 2025. Após 14 meses de acompanhamento contínuo, as análises clínicas não detectaram a presença do vírus em seu sangue nem células capazes de reativar a infecção. O segundo paciente permaneceu sob observação por quatro anos após o procedimento antes de suspender a medicação, mantendo a carga viral indetectável há mais de um ano.
MPROCEDIMENTO DE ALTO RISCO NÃO É TRATAMENTO PADRÃO
Apesar do avanço científico, a comunidade médica reforça que o transplante de medula óssea não representa uma alternativa de tratamento em massa para controlar o HIV. O procedimento envolve riscos elevados à vida, sendo indicado exclusivamente para pacientes com neoplasias hematológicas graves ou doenças falciformes avançadas.
Além disso, os especialistas mantêm cautela ao utilizar o termo “cura”, preferindo classificar os quadros como remissão de longo prazo. O vírus possui a capacidade de se abrigar em reservatórios latentes do organismo, como no tecido intestinal e no sistema nervoso, exigindo monitoramento laboratorial rigoroso por vários anos.
Fonte: Dol Carajas, Metrópoles – 28/07/2026




