sexta-feira, março 20, 2026
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Guerra no Irã entra em nova fase com ataques a instalações de energia; veja locais bombardeados e reação de Trump

Irã anunciou nova ofensiva mirando a infraestrutura energética de países do Golfo Pérsico após um ataque de Israel ao maior campo de gás do mundo, no sul do Irã. Ataques fizeram os preços do petróleo dispararem.

O Irã partiu para uma nova ofensiva na guerra no Oriente Médio e atacou uma série de instalações de produção ou fornecimento de energia no Golfo Pérsico na noite de quarta (18) e madrugada desta quinta (19). A estratégia agora, disse Teerã, é minar a infraestrutura energética os países do Golfo que tenham conexão com os Estados Unidos e Israel.

A ofensiva iraniana é em retaliação ao ataque que Israel fez na quarta-feira (18) ao maior campo de produção de gás do mundo, o de South Pars. O Irã compartilha a reserva no Golfo Pérsico com o Catar. Um vídeo registrou o momento do ataque. Veja abaixo.

A escalada fez os preços do petróleo e do gás dispararem. O Brent — referência do mercado — atingiu o maior nível em mais de uma semana e superou os US$ 115 por barril.

A guerra completa três semanas no sábado (21), sem perspectiva de terminar. Nesta quinta, o Pentágono inclusive anunciou que pedirá ao Congresso norte-americano aval para um aporte de US$ 200 bilhões para seguir no conflito.

Veja abaixo as instalações de energia atacadas pelo Irã no Golfo:

  • Kuwait: duas refinarias de petróleo nacionais foram atacadas por drones e pegaram fogo, informou o Ministério da Informação do país;
  • Arábia Saudita: um drone caiu na refinaria saudita Samref, na zona industrial do porto de Yanbu, no Mar Vermelho, informou o Ministério da Defesa. Antes, o ministério anunciou que havia interceptado um míssil balístico lançado contra o porto;
  • Catar: Ras Laffan, o maior complexo industrial e porto de exportação de gás natural liquefeito (GNL) do mundo, pegou fogo após um ataque iraniano, informou o Ministério do Interior;
  • Emirados Árabes Unidos: um centro de processamento de gás natural de Abu Dhabi foi fechado após a queda de destroços de mísseis interceptados. O país responsabilizou o Irã pelos ataques.
Alvos energéticos do Irã no dia 18 de março — Foto: Igor Ramon/Arte g1
Alvos energéticos do Irã no dia 18 de março — Foto: Igor Ramon/Arte g1

Reação de Trump

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta quinta (19) que pediu ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que não atacasse o campo de South Pars, no Irã.

A declaração contradiz autoridades do governo israelense. Segundo fontes ouviras pela agência de notícias Reuters, o bombardeio foi coordenado com os EUA.

Na noite de quarta (18), Trump já havia afirmado em um post em sua rede social que Israel agiu por conta própria. Na publicação, o presidente dos EUA também ameaçou destruir os campos de gás iranianos se Teerã prosseguir com os ataques contra o Catar.

“Se continuar a atacar o Catar, os Estados Unidos da América, com ou sem a ajuda ou consentimento de Israel, explodirão massivamente a totalidade do Campo de Gás South Pars com um nível de força e poder que o Irã nunca viu ou presenciou antes”, disse Trump.

Em pronunciamento nesta quinta, Netanyahu disse que Israel agiu sozinho no ataque contra South Pars e confirmou que Trump solicitou que o país não faça novos ataques contra infraestruturas energéticas.

Reação no Oriente Médio

Chanceleres de 12 países árabes e islâmicos condenaram os ataques do Irã contra alvos dentro de seus territórios em uma reunião realizada em Riad, na capital da Arábia Saudita, nesta quinta.

Na declaração conjunta divulgada após o encontro, os países exigem a interrupção imediata da ofensiva iraniana e pedem também que Teerã interrompa o “apoio, financiamento e armamento de milícias afiliadas em países árabes”.

➡️ Contexto: Há anos, o Irã vem apoiando grupos extremistas da região que fazem parte do autodenominado Eixo da Resistência. O “eixo” coordenado pelo regime iraniano é predominantemente formado por milícias xiitas e tem entre os pilares principais Hezbollah, Houthis, Hamas (o único sunita) e facções de apoio no Iraque e na Síria.

Estreito de Ormuz

Em meio à disparada do petróleo, países europeus e o Japão disseram nesta quinta-feira (19) que estão “prontos” para se juntar aos “esforços” para liberar a passagem pelo Estreito de Ormuz.

Em um comunicado conjunto, governos de Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda e Japão afirmaram ainda que vão tomar medidas para estabilizar o mercado de energia, afetado pelos ataques do Irã a infraestruturas no Golfo Pérsico.

O comunicado, no entanto, não especifica de que forma os países ajudariam no Estreito de Ormuz, uma via marítima no Oriente Médio por onde circulam navios transportando cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo.

Estreito de Ormuz — Foto: Arte/g1
Estreito de Ormuz — Foto: Arte/g1

Fonte: Redação g1 – 19/03/2026

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