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Mulheres tatuam borboletas em ‘vacinação contra red pill’

Ação em estúdio de tatuagem em Mauá, na Grande São Paulo, reúne cerca de 150 mulheres e transforma símbolo atacado pela “machosfera” em forma de protesto

Em meio às disputas simbólicas que marcam o ambiente digital contemporâneo, gestos individuais e coletivos têm ganhado novos significados, especialmente quando transformados em resposta a discursos misóginos que circulam com força nas redes sociais.

Foi nesse contexto que um estúdio de tatuagem em Mauá, na Grande São Paulo, decidiu promover uma campanha inusitada: uma espécie de “vacinação contra red pill”. A iniciativa resultou em cerca de 150 mulheres tatuando borboletas, símbolo que passou a ser alvo de ataques por parte de grupos ligados à chamada “machosfera”.

POSICIONAMENTO CONTRA MACHISMO E MISOGINIA

De acordo com o tatuador Rodrigo Marques, responsável pelo estúdio The House Tattoo, a ideia surgiu a partir de parcerias com influenciadores, entre eles Pablo Loyo. O objetivo era realizar um dia de flash tattoo que funcionasse como um posicionamento contra discursos considerados machistas e misóginos, que vêm ganhando espaço nas redes sociais nos últimos anos.

“Eles repudiam de toda forma a mulher tatuada”, afirmou o tatuador em entrevista. Segundo ele, a maior parte do público que acompanha o estúdio nas plataformas digitais é formada por mulheres, o que motivou a adesão à causa. Como estratégia para atrair participantes, as 30 primeiras interessadas receberam a tatuagem gratuitamente, enquanto as demais pagaram um valor simbólico de R$ 100.

CAMPANHA FOI UM SUCESSO

A adesão superou expectativas. Houve participantes que chegaram ainda de madrugada, por volta das 3h, para garantir lugar na fila, embora o evento estivesse marcado para começar às 10h. Quando a equipe chegou ao estúdio, às 8h, cerca de 50 pessoas já aguardavam. Antes da abertura, o número saltou para aproximadamente 300.

A organização precisou estruturar o atendimento com pulseiras de identificação e distribuição ordenada das participantes. Além das mulheres, homens e até crianças também compareceram ao local em apoio à iniciativa.

O trabalho de tatuagem contou ainda com a participação das tatuadoras Nádia Marques, Camila Caris e Gabrielle Ferreira. Ao final do evento, as participantes receberam simbolicamente uma “carteirinha de vacinação” contra homens que compactuam com o movimento red pill.

A IMPORTÂNCIA DE APOIAR A CAUSA

Rodrigo destacou que, embora homens não possam falar em nome das mulheres, é possível apoiar a causa. Ele também chamou atenção para o crescimento de discursos que incentivam a violência de gênero. Segundo o tatuador, a intenção é que a iniciativa inspire outros estúdios pelo país. “Mulheres morrem todos os dias e esse tipo de movimento só potencializa”, afirmou.

A campanha também reacende o debate sobre o significado da tatuagem de borboleta. Dentro de grupos associados à red pill, o desenho passou a ser usado como estigma contra mulheres, sendo associado a termos pejorativos e à ideia de que elas não seriam “adequadas para relacionamento”.

Esse tipo de narrativa circula amplamente em redes sociais como o TikTok, onde influenciadores difundem interpretações que associam a tatuagem à “libertinagem” ou a comportamentos considerados inadequados. Em alguns vídeos, homens chegam a afirmar que tatuagens, especialmente de borboleta, seriam um “sinal de alerta” nas relações.

Fonte: Sales Coimbra, Terra – 25/03/2026

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