Violência psicológica é a principal causa das denúncias, segundo registros. Levantamento do Ministério das Mulheres foi obtido pela GloboNews.
A Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) recebeu mais de 1 milhão de chamados no ano passado, e casos de violência psicológica lideram os registros.
A informação consta em levantamento do Ministério das Mulheres obtido com exclusividade pela GloboNews.
A plataforma encerrou o ano de 2025 com um salto significativo em assistência a vítimas. O serviço registrou 1.088.900 atendimentos, o que representa um crescimento de 45% em relação ao ano anterior.
Em média, foram 3 mil atendimentos por dia, desde pedidos de informação sobre a rede de proteção a mulheres no país até denúncias diretas de crimes.
A tendência de alta permanece no início de 2026. Apenas no primeiro trimestre deste ano, as denúncias de violência subiram 23%, totalizando 45.735 registros, contra 37.139 no mesmo período de 2025.
Segundo a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, o canal de atendimento à mulher, além de oferecer informações, também possui ferramentas de identificação da vítima e das redes de proteção mais próximas.
“O 180 não só recebe a denúncia, mas ele identifica de onde é essa mulher, onde ela mora, onde ela deve se dirigir, qual é a rede de proteção e atendimento que tem naquele município. Se é a delegacia, se ela vai primeiro no CRAS, se ela vai na própria Unidade Básica de Saúde”, pontuou a ministra.
“Então, o próprio Ministério Público, dependendo da situação, já encaminha. Ou seja, tem o encaminhamento e o monitoramento deste processo”, prosseguiu.
Raio-x das denúncias
Em 2025, o canal formalizou 155.111 denúncias de violência, uma média de 425 por dia.
O levantamento detalha quem são os autores desses chamados:
- 66,3% realizados pela própria vítima;
- 16,8% por terceiros;
- 16,9% de forma anônima;
- 0,03% pelo próprio agressor.
👩🏽A maioria das vítimas que declararam cor/raça são mulheres negras, que somam 43,16% das denúncias (sendo 33,46% pardas e 9,70% pretas).
Em termos de faixa etária, a maior incidência ocorre entre mulheres de 40 a 44 anos (9,75%).
Violência psicológica e o novo crime de vicaricídio
O relatório aponta que foram reportadas 679.058 violações no total em 2025, já que uma única denúncia pode conter mais de um tipo de crime.
- A violência psicológica é a mais recorrente, presente em 49,9% dos casos, seguida pela violência física (15,3%).
Um dado que chama a atenção é a violência vicária, que ocorre quando o agressor usa filhos ou pessoas próximas para causar sofrimento à mulher. Em 2025, foram 7.064 denúncias deste tipo.
No primeiro trimestre de 2026, esse índice subiu para 7,77% do total de queixas. Recentemente, uma nova lei (PL 3.880/2024) foi sancionada para incluir essa modalidade na Lei Maria da Penha e no Código Penal.
Onde e como ocorrem as agressões
O ambiente doméstico permanece como o local mais perigoso: 40,76% das agressões ocorrem na casa da vítima e 28,58% na residência compartilhada com o suspeito.
Além disso, a frequência é alarmante: 31,86% das mulheres relatam sofrer violência diariamente.
- Os agressores são, em sua maioria, pessoas com quem a vítima tem ou teve vínculo afetivo: ex-companheiros (15,15%) e parceiros atuais (12,29%) lideram as estatísticas.
Ranking regional
A região Sudeste concentrou quase metade das denúncias do país em 2025, com 47,4% do total (73.561 ocorrências). Os estados com mais registros foram:
- São Paulo: 34.476
- Rio de Janeiro: 22.757
- Minas Gerais: 13.421
- Distrito Federal: 9.270
- Bahia: 8.549.
Serviço: Como buscar ajuda
O Ligue 180 funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. O atendimento é gratuito e sigiloso.
- Telefone: 180
- WhatsApp: (61) 9610-0180
- E-mail: central180@mulheres.gov.br
Fonte: Túlio Amâncio, GloboNews — Brasília – 14/04/2026



