Somente em 2026, governo local gastou R$ 346 mil com a transferência das grávidas e acompanhantes.
Fernando de Noronha enviou 174 gestantes para o Recife entre 2024 e julho de 2026 para a realização dos partos. Apenas neste ano, a Administração da Ilha gastou R$ 346.018,26 com passagens aéreas, hospedagem e alimentação das mães e dos acompanhantes. Os dados foram divulgados pelo governo local.
Os números chamaram atenção depois que uma mulher deu à luz no Hospital São Lucas, em Noronha, no domingo (26) (veja vídeo acima). Os partos são proibidos na ilha desde 2004 porque a unidade de saúde não tem estrutura para esse tipo de atendimento. Por isso, um protocolo determina que as gestantes sejam transferidas para o Recife ao completar 28 semanas de gravidez.
Segundo a Assessoria de Comunicação da Administração da Ilha, o número de gestantes encaminhadas ao Recife para dar à luz foi:
- 2024: 60 partos;
- 2025: 74 partos;
- Até julho de 2026: 40 partos.
Os gastos registrados no primeiro semestre de 2026 foram:
- Janeiro: R$ 29.354,47;
- Fevereiro: R$ 41.583,64;
- Março: R$ 58.844,44;
- Abril: R$ 77.046,73;
- Maio: R$ 90.802,19;
- Junho: R$ 48.386,79.
Por que os partos são proibidos
Fernando de Noronha conta apenas com o Hospital São Lucas, que é de média complexidade. A ilha não possui maternidade nem Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Segundo o Governo de Pernambuco, o Ministério da Saúde determina que os partos sejam realizados apenas em maternidades com equipes especializadas.
O g1 perguntou à Secretaria Estadual de Saúde quanto custaria implantar e manter uma estrutura para a realização de partos em Fernando de Noronha e se esse valor seria inferior ao gasto com a transferência de gestantes para o Recife. Até a última atualização desta reportagem, a pasta não havia respondido.
Últimos partos registrados
O governo não informou quando ocorreu o último nascimento de um morador em Fernando de Noronha. Levantamento do g1 mostra que o último parto registrado na ilha aconteceu em 2021, quando uma turista deu à luz.
Antes disso, um nascimento havia sido registrado em 2018, após 12 anos sem partos em Noronha. Na ocasião, a camareira Jamylla Gomes Ribeiro da Silva, de 22 anos, deu à luz uma menina.
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Polêmica sobre a proibição
A proibição de partos em Fernando de Noronha divide opiniões. Moradoras defendem o direito de dar à luz na ilha e questionam a necessidade da regra.
O tema foi retratado no documentário Proibido Nascer no Paraíso, lançado em 2021. Dirigido por Joana Nin, o filme reúne depoimentos de mães, principalmente moradoras do arquipélago, que defendem o direito de ter os filhos em Fernando de Noronha.
Em maio de 2020, a empresária Alyne Dias Luna foi levada por policiais ao Aeroporto de Fernando de Noronha após se recusar a deixar a ilha para dar à luz. Na época, ela afirmou que temia contrair Covid-19 durante a viagem e, por isso, queria ter a filha no arquipélago.
Mesmo sem o consentimento da gestante, o Governo de Pernambuco fretou uma aeronave para levá-la ao Recife, onde o parto foi realizado.
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Fonte: Ana Clara Marinho, g1 PE – 29/07/2026




