Distrito escolar com 1.600 alunos buscava US$ 60 milhões para financiar um programa de saúde mental para adolescentes. Plataformas agora devem enfrentar processos parecidos em regiões maiores, como Los Angeles e Nova York.
A Meta, dona do Facebook e do Instagram, chegou nesta quinta-feira (21) a um acordo judicial nos Estados Unidos no primeiro caso que buscava obrigar plataformas a cobrirem custos de escolas com uma crise de saúde mental causada por redes sociais.
O acordo foi firmado junto ao Distrito Escolar do Condado de Breathitt, na área rural de Kentucky, nos EUA, autor do processo. Antes, o YouTube, o Snapchat e o TikTok também tinham optado por essa saída para evitar o julgamento previsto para 15 de junho.
Com cerca de 1.600 estudantes em seis escolas, o Distrito Escolar do Condado de Breathitt alegou que as plataformas foram desenvolvidas para manter usuários jovens viciados, causando ansiedade, depressão e automutilação entre alunos.
Por isso, pediu US$ 60 milhões para cobrir custos de tratamentos realizados por escolas e financiar um programa de saúde mental para adolescentes. O processo também buscava uma ordem judicial que obrigasse plataformas a mudarem seu funcionamento para se tornarem menos viciantes.
“Resolvemos este caso de forma amigável e seguimos focados em nosso trabalho de longa data para criar proteções como as Contas para Adolescentes, que ajudam jovens a permanecer seguros online, ao mesmo tempo em que dão aos pais controles simples para apoiar suas famílias”, disse um porta-voz da Meta.
Cerca de 1.200 distritos escolares nos EUA estão processando plataformas por motivos parecidos.
O condado de DeKalb, na Geórgia, reúne mais de 90 mil alunos e afirmou que busca US$ 4,3 milhões para cobrir custos com saúde mental de seus estudantes.
O distrito de Los Angeles e o sistema de escolas públicas de Nova York também entraram com ações judiciais e somam mais de 1,2 milhão de alunos.
Acordo acontece após decisão histórica
Em março, um júri de Los Angeles, nos Estados Unidos, considerou Google (da Alphabet) e Meta responsáveis por contribuir para uma crise de saúde mental entre adolescentes por meio do Instagram e do YouTube, em um processo histórico sobre vício em redes sociais.
O júri condenou a Meta a pagar indenizações de US$ 4,2 milhões (R$ 22 milhões) e o Google, de US$ 1,8 milhão (R$ 9,4 milhões).
O processo foi movido por uma jovem de 20 anos, que afirmou ter desenvolvido vício nas plataformas ainda menor de idade, por causa dos recursos dos aplicativos, que incentivam o uso contínuo.
Ela afirmou que o uso intensivo agravou sua depressão e gerou pensamentos suicidas. Por isso, pediu que as empresas fossem responsabilizadas.
Snapchat e TikTok também eram réus no processo, mas fizeram um acordo com a autora antes do início do julgamento.
Críticas crescentes
Nos últimos 10 anos, as grandes empresas de tecnologia dos EUA enfrentam críticas crescentes sobre a segurança de crianças e adolescentes.
O país não aprovou uma legislação abrangente para regular redes sociais, mas ao menos 20 estados americanos aprovaram leis nesse sentido em 2025, segundo a Conferência Nacional de Legislaturas Estaduais (NCSL), organização apartidária que monitora legislações estaduais.
As leis incluem regras sobre o uso de celulares nas escolas e exigem que usuários comprovem a idade para abrir contas em redes sociais. A NetChoice, associação que representa empresas como Meta e Google, tenta derrubar na Justiça as exigências de verificação de idade.
Fonte: Redação g1 — São Paulo – 21/05/2026



