terça-feira, setembro 8, 2026
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Oxigênio da Terra vai acabar; estudo prevê quando isso deve acontecer

Estudo aponta que a atmosfera terrestre pode perder quase todo o oxigênio, provocando o fim da vida complexa; veja quando isso deve acontecer.

O oxigênio presente na atmosfera da Terra, fundamental para a sobrevivência dos seres vivos, não estará disponível para sempre. Um estudo científico indica que o planeta poderá passar por uma profunda transformação atmosférica, com uma queda acentuada na quantidade de oxigênio.

A estimativa foi apresentada por pesquisadores dos Estados Unidos e do Japão em um trabalho publicado na revista científica Nature Geoscience. Para chegar ao resultado, os cientistas utilizaram modelos computacionais capazes de simular diferentes cenários para a evolução da atmosfera, da geologia e da vida terrestre.

Por que o oxigênio da Terra pode diminuir?

O resultado aponta para uma futura fase de desoxigenação acelerada, capaz de levar a atmosfera a condições muito diferentes das atuais, devendo acontecer em aproximadamente 1,08 bilhão de anos.

A mudança está relacionada principalmente à evolução do próprio planeta e ao aumento gradual da luminosidade do Sol.

Com o passar de centenas de milhões de anos, a maior quantidade de energia solar deverá alterar processos químicos que regulam o carbono na atmosfera. Entre as consequências esperadas está uma redução significativa na concentração de dióxido de carbono (CO₂).

O problema é que o CO₂ é indispensável para organismos que realizam fotossíntese. Com menos dióxido de carbono disponível, plantas, algas e outros organismos fotossintéticos terão cada vez mais dificuldade para sobreviver. Como esses seres são responsáveis por grande parte da produção de oxigênio, sua redução também afetará diretamente os níveis do gás na atmosfera.

Atmosfera parecida com a do passado

Os pesquisadores estimam que essa transformação levará o planeta a uma condição atmosférica semelhante à existente em períodos muito antigos da história da Terra, antes da atual atmosfera rica em oxigênio.

A concentração do gás poderá cair para uma pequena fração dos níveis atuais. Nesse cenário, a vida que depende de oxigênio para obter energia teria enormes dificuldades para continuar existindo.

O modelo também prevê uma atmosfera com mais metano, pouco dióxido de carbono e sem a atual camada de ozônio.

O que aconteceria com os seres vivos?

A consequência mais importante seria o desaparecimento da chamada vida aeróbica complexa, que depende do oxigênio para realizar seu metabolismo.

Animais, seres humanos e muitos outros organismos não conseguiriam sobreviver em uma atmosfera com níveis tão baixos do gás.

Algumas formas de vida anaeróbicas, capazes de viver sem oxigênio, poderiam permanecer no planeta. Seriam organismos muito diferentes daqueles que dominam a Terra atualmente.

Isso significa que a perda do oxigênio aconteceria muito antes de uma eventual evaporação completa dos oceanos. O estudo, portanto, sugere que a habitabilidade da Terra para formas de vida complexas pode terminar por razões atmosféricas antes de o planeta perder toda a sua água superficial.

Quando isso deve acontecer?

De acordo com as simulações, a grande transformação atmosférica ocorreria em torno de 1,08 bilhão de anos.

A previsão, porém, não representa uma data exata. O estudo trabalha com modelos e apresenta uma margem de incerteza de aproximadamente 140 milhões de anos para mais ou para menos.

Ou seja, trata-se de uma projeção para uma escala de tempo extremamente distante, e não de uma ameaça para a humanidade ou para as próximas gerações.

Por que os cientistas estão estudando o fim do oxigênio?

Apesar de parecer uma previsão sobre um futuro muito distante, a pesquisa tem uma aplicação importante na busca por vida fora da Terra.

Atualmente, a presença de oxigênio e ozônio em uma atmosfera é considerada uma possível bioassinatura, um sinal que pode indicar a existência de atividade biológica.

O estudo mostra, entretanto, que um planeta habitável não necessariamente terá uma atmosfera rica em oxigênio durante toda a sua história.

Isso significa que um mundo pode abrigar vida e, ainda assim, apresentar pouco ou nenhum oxigênio detectável. A descoberta amplia as possibilidades que os cientistas precisam considerar ao procurar sinais de vida em outros planetas.

Como seria a Terra observada no futuro?

Se um observador distante analisasse a Terra em diferentes períodos de sua história, poderia encontrar atmosferas completamente distintas.

O planeta atual apresenta uma quantidade significativa de oxigênio, resultado de bilhões de anos de atividade de organismos fotossintéticos. Em períodos muito antigos, porém, a composição atmosférica era bastante diferente.

Pesquisas recentes que simulam como telescópios espaciais poderiam observar a Terra ao longo de sua história reforçam essa ideia: dependendo da época analisada, alguns dos sinais considerados importantes para identificar vida poderiam simplesmente não aparecer.

A conclusão é que a ausência de oxigênio não significa necessariamente ausência de vida. Para encontrar organismos em outros mundos, os cientistas terão de procurar um conjunto mais amplo de possíveis sinais biológicos.

Fonte: Lucas Quirino, Terra – 08/09/2026

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