Craque diz que teve o privilégio de ser capitão do time português e agradece aos companheiros. Astro toma decisão aos 41 anos, após atrito com Jorge Jesus
Cristiano Ronaldo anunciou a aposentadoria da seleção portuguesa nesta quinta-feira, dias antes de mais uma convocação do técnico Jorge Jesus à frente da equipe. O atacante de 41 anos comunicou a decisão através de uma carta, lida em um vídeo publicado em suas redes sociais. No texto, o craque diz que teve o privilégio de ser capitão da equipe de Portugal e que estará sempre na torcida.
Cristiano Ronaldo tomou a decisão semanas após o atrito com o técnico Jorge Jesus na última Data Fifa. A crise começou no fim de setembro, quando o jogador não foi utilizado durante a vitória sobre a Noruega, apesar de ter passado parte do segundo tempo em processo de aquecimento. A divergência com o treinador ganhou grandes proporções após uma entrevista coletiva de Jorge Jesus que irritou CR7 – horas depois de uma reunião com o presidente da FPF para aparar as arestas.
Insatisfeito, o atacante deixou a concentração minutos antes de um treinamento. Na ocasião, Jorge Jesus fez elogios ao craque, mas reafirmou sua autoridade sobre as decisões à frente da equipe. Dias depois, o jogador do Al-Nassr publicou um longo comunicado acusando o técnico de não cumprir acordos.
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Dias depois do episódio, Cristiano Ronaldo chegou a pedir desculpas por abandonar a seleção, e afirmou que continuava disponível para defender Portugal. O episódio resultou em uma suspensão de 30 dias e multa de 255 euros (cerca de R$ 1,4 mil) aplicadas pela Federação Portuguesa de Futebol.
Apesar da punição terminar no dia 30 de outubro, antes dos próximos compromissos da equipe, Cristiano Ronaldo anunciou a aposentadoria da seleção portuguesa. O técnico Jorge Jesus fará nos próximos dias a convocação para os últimos compromissos de Portugal em 2026 – e, de acordo com a imprensa local, o nome do astro estava na pré-lista do treinador.
Recordes e títulos por Portugal
Cristiano Ronaldo encerra uma das trajetórias mais marcantes da história do futebol de seleções. A estreia do craque em Portugal aconteceu em agosto de 2003, e, ao longo de 23 anos, o atacante se tornou um símbolo do país, se consolidando como o maior jogador da história do futebol local: aquele que tem o maior número de gols, de jogos e de Copas do Mundo disputadas, além de troféus conquistados.
Cristiano Ronaldo marcou 146 gols ao longo de 243 jogos com a camisa de Portugal, sendo o maior artilheiro da história de todas as seleções masculinas. Ele foi o líder do time na conquista de títulos inéditos para o futebol português, com destaque para a Eurocopa, em 2016, após uma final contra a França, que era anfitriã do torneio.
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Portugal também faturou duas edições da Liga das Nações, em 2019 e 2025, na era Cristiano Ronaldo – quando passou a ter presença constante em Copas do Mundo. Assim, CR7 disputou seis edições do Mundial, sendo a última em 2026, aos 41 anos de idade. Ele se tornou o primeiro jogador a marcar gols em cinco edições diferentes da Copa.
Apesar de encerrar a carreira por Portugal, seguirá atuando pelo Al-Nassr, da Arábia Saudita. Ele agora persegue outra marca pessoal: chegar ao milésimo gol da carreira. Neste momento, ele soma 985, estando a 15 do número sonhado.
Confira a carta de Cristiano Ronaldo na íntegra:
“Aos portugueses, chegou o dia de devolver a camisa 7 da seleção de todos nós. Nunca senti como exclusivamente minha, mas durante 23 anos tive o privilégio e a responsabilidade de vestir, de defender e de levar comigo para estádios do mundo inteiro. Hoje chegou o momento de entregar ao futuro. Não foi uma decisão fácil, porque decisões não se tomam apenas com a cabeça, se tomam também com o coração.
Termina uma caminhada que começou em agosto de 2003 e mudou a minha vida para sempre. Quando olho para trás e penso em tudo que vivi pela seleção não vejo apenas jogos, gols, recordes ou troféus. Vejo o que sou hoje. Vejo imigrantes que durante noventa minutos sentiam Portugal um pouco mais perto. Vejo milhões de portugueses que nunca conheci pessoalmente, mas fizeram parte da minha vida. No fim de tudo, futebol é muito mais que um jogo. O futebol são as pessoas.
Durante toda a minha carreira na seleção procurei superar os meus limites, quis ganhar, quis ser o melhor, quis fazer história. Sempre fui exigente comigo próprio, sempre quis mais, sempre acreditei que podíamos chegar mais longe e dei tudo o que tinha por essa camisa. Houve tardes e noites perfeitas, houve vitórias que nunca esquecerei, houve derrotas que ainda hoje me custam a recordar. Também falhei, também sofri, também houve momentos que não fui capaz de dar aos portugueses aquilo que tanto desejava. Mas nunca desisti.
Acima de tudo nunca deixei de sentir orgulho por representar Portugal. Ao longo desses anos aprendi coisas muito simples. Os gols passam, as taças ficam nos museus, os recordes acabam por ser batidos, mas há algo que o tempo nunca consegue apagar: o lugar que ocupamos no coração das pessoas. Se alguma vez fiz vocês felizes, se alguma vez um gol meu fez vocês abraçarem alguém, fez alguma pessoa sentir orgulho do próprio país, então tudo valeu a pena. Porque ser português também é isso.
Sofremos juntos, levantamos juntos, acreditamos outra vez. Portugal precisará sempre de jovens que sonhem, de jogadores que nunca desistam, de novas gerações que acreditem em chegar onde ninguém chegou. Porque um país que continua a criar novos heróis é um país que nunca deixa de acreditar em si mesmo.
Aos meus companheiros de seleção, quero deixar uma palavra especial. Obrigado por cada corrida, por cada abraço, por cada discussão, por cada silêncio antes de entrar em campo. Por cada vitória que celebramos juntos e por cada derrota que nos tornou mais fortes. Tive o privilégio de ser vosso capitão, mas nenhum capitão caminha sozinho. E vocês fazem parte da minha história.
A todos os treinadores, dirigentes, médicos, fisioterapeutas, roupeiros, funcionários e a tantas pessoas que trabalharam comigo ao longo destes anos, o meu obrigado. Muitos de vocês nunca apareceram nas fotografias, mas sem vocês nenhuma dessas fotografias teria sido possível.
À minha família, obrigado por dividir comigo esse sonho. Obrigado por entenderem as ausências, os sacrifícios e os momentos em que a seleção teve que ocupar um espaço que também pertencia a vocês. Se cheguei tão longe, foi porque sempre estivemos de mãos dadas.
E aos portugueses, a todos os portugueses espalhados pelo mundo, quero dizer uma última coisa. Há uma imagem que sempre levarei comigo: o momento em que começa o hino nacional. Olho ao meu redor, vejo meus companheiros, vejo as arquibancadas, vejo crianças, mães, pais e avós, vejo portugueses que vieram de tão longe apenas para estar ali. E durante aqueles minutos deixamos de ser diferentes. Não existem clubes, não existem cores, não existem classes, não existem profissões, não existem opiniões. Existe apenas uma paixão: Portugal.
Esse sentimento levarei comigo para o resto da vida. Hoje termina minha caminhada dentro de campo com a seleção. Saio de cabeça erguida, com orgulho do caminho que fiz e com a consciência de que dei tudo o que tinha por Portugal. Mas nunca deixarei de ser um de vocês. Vou continuar sofrendo, vibrando e comemorando cada vitória de Portugal com o coração.
Passei a minha vida a trabalhar para ser o melhor jogador do mundo. Hoje percebo que a maior vitória foi ter merecido representar o melhor país do mundo. Obrigado por esses 23 anos. Obrigado por terem acreditado em mim. Obrigado por me permitir viver um sonho que começou quando eu era apenas um menino, na Madeira, correndo atrás de uma bola.
A camisa 7 fica, o orgulho de ter vestido será meu para sempre. Portugal sempre estará em mim.
Até sempre, Cristiano Ronaldo.”
Fonte: Redação do ge — Portugal – 05/11/2026




