terça-feira, abril 14, 2026
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Derrubada de veto do PL da Dosimetria reduz tempo de prisão para crimes hediondos, aponta estudo da Câmara

Parecer da Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados indica que PL da Dosimetria favorece presos que cometeram crimes como tráfico, estupro e feminicídio, além de beneficiar o crime organizado.

A derrubada do veto ao projeto de lei da dosimetria vai beneficiar presos que cometeram crimes hediondos como tráfico, estupro e também autores de feminicídio, indica um parecer da Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados. O estudo é assinado pelo consultor Lucas de Oliveira Jaques.

O presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), marcou para o dia 30 de abril a análise do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao PL que reduz as penas aplicadas aos participantes dos atos de 8 de janeiro.

🔍O chamado PL da Dosimetria é uma proposta que altera critérios para o cálculo e cumprimento de penas no sistema penal, especialmente no que diz respeito ao tempo mínimo necessário para progressão de regime, ou seja, a passagem do preso para condições menos rigorosas de cumprimento da pena.

Segundo o parecer, o PL causaria uma redução relevante nos percentuais exigidos para progressão de regime. Em crimes hediondos, por exemplo, o cumprimento mínimo da pena cairia de 70% para 40% no caso de réus primários – uma diminuição expressiva. No caso de crimes hediondos com resultado de morte, o percentual recuaria de 75% para 50%.

Para feminicídio, a exigência de tempo mínimo de pena para progressão de regime passaria de 75% para 55%. Para reincidentes, a queda também seria significativa, de 85% para 70%.

O impacto se estende ainda ao combate ao crime organizado e às milícias, com redução do tempo mínimo de cumprimento de pena de 75% para 50%.

Segundo o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), a derrubada do veto do PL da Dosimetria anula o que foi aprovado no PL Anti-facção, projeto que endurece regras e penas para integrantes de organizações criminosas e milícias.

“Beneficia Bolsonaro, mas também Fernandinho Beira Mar, Marcola e os chefes de milícia do país. Na prática, o Congresso estará anulando o endurecimento das penas aprovadas no PL Anti-facção, favorecendo os mais sanguinários bandidos do Brasil”, resumiu o parlamentar.

O gabinete do senador também elaborou um estudo técnico que aponta o mesmo risco da consultoria legislativa.

Fonte: Octavio Guedes – 13/04/2026

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