Novos casos em São Paulo e morte em Santa Catarina colocam estados brasileiros em alerta para a doença transmitida por mosquitos.
A confirmação de novos casos de Febre do Nilo Ocidental colocou diferentes estados brasileiros em alerta na segunda-feira (24/08). São Paulo registrou, pela primeira vez, pessoas infectadas pelo vírus, enquanto Santa Catarina confirmou o primeiro óbito provocado pela doença no estado.
Diante da circulação do vírus, aumentam as dúvidas sobre como ocorre a transmissão, quais são os principais sintomas e quais cuidados podem ajudar a reduzir o risco de infecção.
De acordo com informações do Ministério da Saúde, a Febre do Nilo Ocidental é uma infecção viral aguda provocada por um arbovírus, grupo que também inclui os vírus responsáveis por doenças como dengue, zika, chikungunya e febre amarela.
A transmissão ocorre principalmente pela picada de mosquitos infectados, sobretudo do gênero Culex, conhecido popularmente como pernilongo.
Como a Febre do Nilo é transmitida?
O ciclo de transmissão envolve principalmente mosquitos e aves silvestres. Algumas espécies de aves funcionam como hospedeiras e amplificadoras do vírus, servindo como fonte de infecção para os mosquitos.
Quando um mosquito infectado pica uma pessoa, o vírus pode ser transmitido. Humanos e equídeos, como cavalos, são considerados hospedeiros acidentais e terminais, pois permanecem infectados por um período curto e em quantidade insuficiente para infectar novos mosquitos.
Embora sejam menos frequentes, outras formas de transmissão já foram registradas, incluindo transfusão de sangue, transplante de órgãos, aleitamento materno e transmissão da mãe para o bebê durante a gestação.
Quais são os sintomas?
A maioria das pessoas infectadas não desenvolve sintomas ou apresenta apenas manifestações leves. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 20% dos infectados apresentam algum sintoma.
Entre os sinais que podem aparecer estão:
- febre aguda de início repentino;
- mal-estar;
- perda de apetite;
- náusea e vômito;
- dor nos olhos;
- dor de cabeça;
- dor muscular;
- manchas na pele;
- aumento dos gânglios linfáticos.
Na maioria dos casos, a doença evolui de maneira leve. Porém, uma parcela dos infectados pode desenvolver manifestações neurológicas graves.
Doença pode atingir o sistema nervoso
O Ministério da Saúde estima que aproximadamente um em cada 150 infectados desenvolva uma forma neurológica grave da Febre do Nilo Ocidental.
Entre as possíveis complicações estão meningite, encefalite e paralisia flácida aguda. A encefalite é apontada como a manifestação neurológica mais frequente.
Nos casos graves, o paciente pode apresentar febre, fraqueza intensa, sintomas gastrointestinais, alterações do estado mental, fraqueza muscular e paralisia. Também podem ocorrer convulsões, alterações dos nervos cranianos, inflamações neurológicas e problemas de coordenação motora.
Por causa da possibilidade de evolução para quadros graves, pessoas que apresentem sintomas compatíveis devem procurar atendimento médico para avaliação.
Como é feito o diagnóstico?
A confirmação da Febre do Nilo Ocidental depende de exames laboratoriais. Um dos principais métodos é a identificação de anticorpos IgM contra o vírus em amostras de sangue ou líquido cefalorraquidiano.
Também podem ser utilizados exames moleculares, como o RT-PCR, além de isolamento viral e outros testes sorológicos.
O diagnóstico pode ser mais complexo porque pessoas recentemente vacinadas contra determinadas doenças ou que tiveram contato com outros flavivírus, como dengue e febre amarela, podem apresentar reações cruzadas em alguns exames.
Existe vacina contra a Febre do Nilo?
Não existe vacina contra a Febre do Nilo Ocidental disponível para uso humano no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Também não há tratamento antiviral específico. Nos casos leves, é indicado tratamento dos sintomas e acompanhamento médico. Quando há comprometimento do sistema nervoso central, pode ser necessária hospitalização e, nos quadros mais graves, atendimento em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
O tratamento pode envolver hidratação, suporte respiratório e medidas para evitar complicações e infecções secundárias.
Como prevenir a infecção?
Como não há vacina disponível no Brasil, a principal forma de prevenção é evitar a exposição aos mosquitos.
Entre as medidas recomendadas estão:
- usar repelente;
- evitar locais com grande presença de mosquitos, principalmente ao amanhecer e ao entardecer;
- instalar telas em portas e janelas;
- eliminar recipientes que possam acumular água;
- evitar o descarte de lixo em valas, córregos, rios e riachos;
- evitar o contato com animais mortos quando possível.
Pessoas que trabalham ao ar livre, como agricultores, veterinários, jardineiros, paisagistas, trabalhadores da construção civil, biólogos e outros profissionais, podem estar mais expostas aos mosquitos e devem reforçar os cuidados.
O controle dos mosquitos também depende de ações de saúde pública, com redução de criadouros, melhoria do saneamento e manejo ambiental. Segundo o Ministério da Saúde, mosquitos do gênero Culex podem se reproduzir em locais como fossas, remansos de rios e lagoas poluídas.
Com a identificação de novos casos no país, a orientação é manter os cuidados para reduzir a exposição aos vetores e procurar atendimento diante do surgimento de sintomas, principalmente quando houver sinais neurológicos.
Fonte: Lucas Quirino, Ministério da Saúde – 25/08/2026




