Norte-americano disse que quer ‘promover uma mudança’ em seu governo. Conhecido como ‘pai do muro’, Miller é autor de medidas anti-imigração polêmicas no 1º governo Trump, como o muro entre EUA e México. Ele substituirá Susie Wiles, grande coordenadora da campanha de Trump.
Em uma sinalização de endurecimento de seu governo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (6) que nomeou como seu novo chefe de gabinete Stephen Miller, um dos políticos mais linha-dura de seu governo.
Miller, que era vice-chefe de gabinete, substituirá a veterana Susie Wiles, uma das assessoras mais próximas ao presidente dos EUA e conhecida por colocar ordem em seu governo. Trump anunciou ainda que Wiles migrará para o braço da organização política do republicano, fora da Casa Branca.
➡️ O novo chefe de gabinete é autor das medidas anti-imigração mais polêmicas da primeira gestão de Donald Trump, como a separação de famílias e a construção de um muro na fronteira entre os Estados Unidos e o México, que o fez ser conhecido como “pai do muro” (leia mais abaixo).
Questionado nesta sexta sobre a nova escolha, Trump disse que queria “promover uma mudança” em seu governo – o anúncio ocorre três dias após Donald Trump amargar uma dura derrota nas midterms, como são chamadas as eleições nos Estados Unidos para renovar parte do Legislativo e de governos estaduais.
No pleito, o Partido Democrata, rival de Trump, angariou uma ampla vitória, conquistando de volta o controle da Câmara dos Deputados e do Senado, além da grande maioria dos governos estaduais, inclusive em redutos tradicionalmente muito republicanos, como o Texas.
Autoridades da Casa Branca disseram à agência de notícias Reuters que a escolha de Miller sugere que Trump adotará uma postura agressiva em relação à política interna.
“É um prazer anunciar que o sr. Stephen Miller, o atual vice-chefe de gabinete, e um de meus conselheiros de maior confiança, se tornará chefe de gabinete, começando na segunda-feira, 9 de novembro”, escreveu Trump em sua rede social Truth Social.
Políticas linha-dura
Miller foi o autor de grandes polêmcias da primeira gestão de Trump, como:
- A construção do muro entre EUA e México, uma das grandes marcas do primeiro governo Trump. O projeto começou a ser construído, mas nunca foi concluído.
- Miller também esteve por trás, na primeira gestão de Trump, da proibição de entrada nos EUA de cidadãos de alguns países de maioria muçulmana.
- Foi dele, ainda, a ideia da política de separação de milhares de crianças de suas famílias que tentavam entrar nos EUA de forma ilegal, uma medida fortemente criticada pela ONU e por organismos internacionais. Até hoje, centenas delas não conseguiram se reunir com seus pais.
Na atual gestão de Trump, o novo chefe de gabinete sugeriu metas agressivas de prisões de imigrantes em situação irregular para 3.000 pessoas por dia, fazendo com que agentes do ICE ampliassem a sua caça e detenção de estrangeiros.
‘Organizadora do caos’
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Já Susan Wiles é considerada um dos “cérebros” por trás do segundo mandato do governo Trump, iniciado em janeiro de 2025. Wiles foi o primeiro nome anunciado por Trump para compor a equipe de seu segundo mandato.
Com perfil discreto, a assessora se autointitula “organizadora do caos”. Ela foi uma das responsáveis por levar Trump ao poder em 2016 e ajudou a “limpar” o nome do republicano em 2021, após apoiadores invadirem o Capitólio no dia 6 de janeiro daquele ano.
Embora seja um dos nomes fortes do atual governo, ela evitou os holofotes durante a campanha e se recusou a discursar quando Trump venceu as eleições em 2024.
Nesta sexta, o norte-americano agradeceu a Wiles, “que fez um trabalho fora do comum”. Ele não deu mais detalhes sobre a nova função que a assessora desempenhará.
Fonte: Redação g1 – 06/11/2026




