Pesquisadores vão capturar roedores na região de onde partiu o navio MV Hondius enquanto autoridades tentam afastar suspeitas sobre foco da doença na cidade.
O frio intenso da Patagônia argentina, acostumado a atrair turistas fascinados pelas paisagens austrais e pelos cruzeiros rumo à Antártida, agora divide espaço com uma inquietação sanitária que atravessou fronteiras. Em Ushuaia, conhecida como a cidade mais austral do planeta, autoridades de saúde e pesquisadores vivem dias de tensão silenciosa após o surgimento de um foco de hantavírus associado ao navio MV Hondius.
No centro da investigação está a possível presença de roedores transmissores da doença na região de onde partiu a embarcação. A missão científica, organizada por especialistas argentinos, pretende capturar e analisar amostras de roedores já na próxima semana, em uma tentativa de esclarecer se o vírus poderia ter circulado na área antes do embarque do chamado “caso zero”.
MISSÃO CIENTÍFICA BUSCA RASTROS DO VÍRUS
O diretor de Epidemiologia da província da Terra do Fogo, Juan Petrina, informou que a coleta das amostras ocorrerá em pontos ainda em definição, com apoio do Instituto Malbrán, referência argentina em infectologia e epidemiologia.
Segundo ele, os resultados laboratoriais devem ser concluídos em até quatro semanas. Apesar da mobilização, Petrina reforçou que o cenário epidemiológico da região permanece estável e sem novos registros da doença desde a partida do navio, ocorrida há cerca de 45 dias.
CASO ZERO LEVANTA HIPÓTESES
As investigações também se concentram nos deslocamentos feitos por um ornitólogo holandês apontado como possível caso inicial do surto. Informações ainda não confirmadas indicam que ele teria visitado áreas próximas a um aterro sanitário durante as 48 horas em que permaneceu em Ushuaia para observar aves necrófagas.
A hipótese levantou suspeitas sobre eventual contato com o rato de cauda longa, principal transmissor da variante “Andes” do hantavírus. Uma das poucas cepas conhecidas com potencial de transmissão entre humanos.
Petrina, no entanto, minimizou a possibilidade de contaminação dentro do próprio aterro. Segundo ele, os roedores encontrados nesses ambientes urbanos não são considerados suscetíveis ao hantavírus. A busca deverá se concentrar em áreas periféricas e ambientes naturais ao redor da cidade.
AUTORIDADES TENTAM PRESERVAR IMAGEM TURÍSTICA
Enquanto a investigação avança, autoridades locais intensificam um discurso de tranquilidade para evitar impactos negativos no turismo, principal atividade econômica da região.
A ministra da Saúde provincial, Judit Di Giglio, afirmou que o vetor da doença não está presente na província e reforçou que Ushuaia continua sendo um destino seguro para moradores e visitantes.
O presidente da Câmara de Turismo local, Patricio Cornejo, lamentou a disseminação de informações consideradas falsas no exterior associando diretamente a cidade à origem do surto. Segundo ele, a repercussão internacional provocou preocupação no setor turístico, que teme prejuízos à imagem da região em plena temporada de viagens ao extremo sul do continente.
Fonte: Sales Coimbra, Metrópoles – 15/05/2026



