Mudanças no sono, irritabilidade, isolamento e perda de interesse podem indicar sofrimento emocional e merecem atenção; veja o que diz a especialista.
O Setembro Amarelo reforça a importância de falar sobre saúde mental e prevenção ao suicídio. Mais do que identificar situações de crise, a campanha também chama atenção para comportamentos que podem indicar que uma pessoa está enfrentando um período de sofrimento emocional.
Nem sempre esses sinais aparecem de maneira evidente. Alterações na rotina, no comportamento e na forma de se relacionar com outras pessoas podem ser confundidas com cansaço, estresse ou apenas uma fase difícil.
Segundo a neurocientista Carol Garrafa, CEO da Santé, mudanças persistentes no comportamento devem ser observadas, principalmente quando começam a interferir nas atividades cotidianas, nos relacionamentos e até em tarefas simples.
“O cérebro sempre vai ser programado para nos proteger. Então, quando vivemos um período prolongado de estresse, pressão ou sofrimento emocional, ele começa a economizar energia e reorganizar prioridades”, explica a especialista.
Esse processo pode provocar diferentes manifestações. Por isso, perceber alterações que persistem ao longo do tempo pode ser importante para buscar ajuda e evitar que o sofrimento se intensifique.
1. Mudanças no sono
Dormir mais do que o habitual ou enfrentar dificuldades frequentes para dormir pode ser um sinal de que algo não está bem. Alterações persistentes no padrão de sono podem afetar a disposição, a concentração e a capacidade de lidar com as emoções.
Quando o descanso deixa de seguir o padrão habitual e a mudança permanece por um período prolongado, vale observar se outros sinais também estão presentes.
2. Irritação e impaciência frequentes
A saúde mental fragilizada nem sempre aparece acompanhada de tristeza. Em algumas situações, a pessoa pode ficar mais irritada, impaciente ou intolerante diante de acontecimentos comuns.
Reações mais intensas do que o habitual e dificuldade para lidar com pequenas situações do cotidiano podem indicar uma sobrecarga emocional, principalmente quando passam a fazer parte da rotina.
3. Vontade de ficar sozinho
Outro sinal que merece atenção é o afastamento progressivo de familiares, amigos e atividades sociais. Recusar encontros, evitar conversas ou perder a disposição para manter contatos que antes eram prazerosos pode indicar que a pessoa está enfrentando dificuldades para lidar com a própria rotina e com as relações ao redor.
O isolamento, especialmente quando se torna frequente e representa uma mudança significativa de comportamento, deve ser observado com cuidado.
4. Falta de concentração e esquecimentos
Dificuldades para manter o foco, organizar tarefas ou lembrar de compromissos também podem aparecer em períodos de estresse e sofrimento emocional.
Quando a mente está sobrecarregada, atividades que antes eram realizadas com facilidade podem se tornar mais difíceis. Por isso, alterações persistentes na concentração e na memória podem ser mais um indicativo de que é necessário prestar atenção ao próprio estado emocional.
5. Perda de interesse pelo que antes dava prazer
Deixar de encontrar satisfação em atividades que costumavam despertar interesse é outro sinal que não deve ser ignorado.
Hobbies, encontros, passeios ou outras atividades podem perder o sentido ou deixar de despertar entusiasmo. Quando essa mudança permanece por um período significativo, pode indicar uma alteração importante no bem-estar emocional.
Quando procurar ajuda?
A presença de um desses sinais, isoladamente, não significa necessariamente que exista um transtorno mental. O mais importante é observar a frequência, a intensidade e a duração das mudanças, além do impacto que elas provocam na rotina.
A percepção de que algo mudou no próprio comportamento ou no comportamento de alguém próximo pode ser o primeiro passo para buscar apoio.
Conversar com pessoas de confiança e procurar orientação de profissionais especializados em saúde mental são atitudes importantes diante de situações de sofrimento emocional.
Durante o Setembro Amarelo, a principal mensagem é que cuidar da saúde mental também significa reconhecer os sinais de que algo não está bem e não esperar que o sofrimento chegue a um ponto extremo para pedir ajuda.
Fonte: Lucas Quirino, VTV News – 01/09/2026




