A Argentina enfrenta a possibilidade de sofrer sanções disciplinares da FIFA depois que seus jogadores comemoraram a vitória na semifinal da Copa do Mundo contra a Inglaterra com uma faixa em apoio às reivindicações do país sobre as Ilhas Malvinas
A Argentina pode enfrentar uma ação disciplinar da Fifa depois que seus jogadores comemoraram a vitória sobre a Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo exibindo uma faixa em apoio à reivindicação argentina sobre as Ilhas Malvinas.
A atual campeã mundial conseguiu uma virada dramática nos minutos finais em Atlanta, marcando dois gols para derrotar a equipe de Thomas Tuchel por 2 a 1 e garantir vaga na final de domingo contra a Espanha.
Após o apito final, os jogadores argentinos comemoraram segurando uma faixa com a frase ‘Las Malvinas son Argentinas’ (‘As Malvinas são argentinas’).
As Ilhas Malvinas, ou Falklands, como são chamadas no Reino Unido, são um território britânico ultramarino no sudoeste do Oceano Atlântico, e continuam sendo objeto de uma disputa de soberania entre o Reino Unido e a Argentina.
O secretário britânico de Negócios e Comércio, Peter Kyle, classificou a faixa exibida pela Argentina como “totalmente inadequada” e afirmou esperar que a Fifa realize uma investigação completa sobre o caso.
“Acho que [uma investigação] certamente vai acontecer, porque foi uma violação tão flagrante das regras que proíbem atividades políticas no futebol”, disse Kyle ao programa BBC Breakfast.
Uma porta-voz do governo britânico declarou que qualquer possível ação contra os jogadores argentinos é “uma questão para a Fifa“, mas concordou com a opinião de Kyle de que a entidade máxima do futebol argentino deveria investigar o incidente.
“A Copa do Mundo pode não ser nossa, mas as Ilhas Malvinas certamente são”, declarou a porta-voz do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.
Argentina e Reino Unido travaram uma guerra pelo arquipélago das lhas Malvinas, ou Falklands, localizado a cerca de 480 quilômetros da costa leste da Argentina, entre abril e junho de 1982.
O conflito, que durou 74 dias, resultou na morte de 655 militares argentinos e 255 militares britânicos. Três moradores das ilhas também morreram.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/E/v/6z4iA4SWKgSbKhArRh9Q/2026-07-15t213841z-864818289-up1em7f1n6hm3-rtrmadp-3-soccer-worldcup-eng-arg.jpg)
Em 2014, a Fifa multou a Associação do Futebol Argentino em cerca de R$ 136 mil (à cotação atual) depois que seus jogadores exibiram uma faixa com a mesma mensagem antes de um amistoso contra a Eslovênia.
Na ocasião, a entidade máxima do futebol afirmou que o gesto violava suas regras sobre manifestações políticas e má conduta das equipes.
Em outro caso recente, os jogadores espanhóis Rodri e Álvaro Morata foram suspensos por um jogo cada pela Uefa, o órgão regulador do futebol europeu, após cantarem sobre a reivindicação de seu país por Gibraltar depois da vitória contra a Inglaterra na Euro 2024 — Gibraltar é um território ultramarino britânico, situado no extremo sul da Península Ibérica.
Fazendo referência a essas penalidades, o líder dos Liberais Democratas britânicos, Ed Davey, afirmou que os jogadores argentinos que comemoraram com a faixa “deveriam ser excluídos da final”.
Após a vitória desta quarta-feira, a vice-presidente da Argentina, Victoria Villarruel, publicou uma mensagem no X dizendo que “não foi apenas mais uma partida”, acompanhada de um vídeo que parecia mostrar soldados argentinos.
“As Malvinas são argentinas”, escreveu Villarruel. “Proibiram que elas entrassem no estádio e esqueceram que as carregamos no sangue e no coração.”
Na preparação para o jogo, Villarruel havia afirmado que a semifinal era uma oportunidade de “colocar os invasores em seu devido lugar”.
Os jogadores argentinos também cantaram músicas que faziam referência às Malvinas e aos ídolos argentinos Diego Maradona e Lionel Messi após a dramática vitória por 3 a 2 sobre o Egito nas oitavas de final.
Antes da semifinal, porém, o técnico Lionel Scaloni havia dito que não iria “misturar” futebol e política.
“A realidade é que este é um jogo de futebol. Não posso misturar as coisas, especialmente por respeito ao que aconteceu tantos anos atrás”, afirmou Scaloni.
“Foi um período muito triste da nossa história, e não há muito que possamos fazer sobre isso. Essa é a realidade.”
“Há guerras acontecendo em outras partes do mundo, e nós criticamos a existência da guerra. É claro que lembramos dessas pessoas. Mas isto é uma partida de futebol; não devemos confundir as duas coisas.”
Fonte: Por BBC – 16/07/2026




