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Em depoimento, Vorcaro admite ‘agrado’ a diretor do BC em viagem para a Disney

O depoimento a que a TV Globo teve acesso foi no inquérito que investiga a relação do ex-banqueiro com dois servidores do BC suspeitos de receber vantagens indevidas e de atuar em favor do Banco Master.

Em depoimento à Polícia Federal (PF), Daniel Vorcaro negou ter realizado o pagamento de vantagens indevidas a Paulo Sérgio Neves de Sousa e Belline Santana, servidores do Banco Central (BC).

O ex-dono do Banco Baster admite, no entanto, ter feito um “agrado” a Paulo Sérgio ao prestar apoio à família dele uma viagem para a Disney, nos Estados Unidos.

O depoimento foi revelado pelo Metrópoles. A TV Globo também teve acesso ao material.

A oitiva ocorreu na sexta-feira (28) no âmbito do inquérito que investiga a relação do ex-banqueiro com dois servidores suspeitos de receber vantagens indevidas e de atuar em favor do Banco Master.

“Em uma determinada reunião, o Sr. Paulo Sérgio menciona que ele já iria fazer, já tinha programado uma viagem com a sua família para a Disney, e aí eu disse, olha, eu tenho um serviço lá de concierge que é interessante, vou pedir para te procurar. Então, obviamente, ali foi um agrado dentro de uma estrutura que eu já possuía ali para dezenas de pessoas. Ele ressarciu? Ele pagou por esse serviço ou não? Eu não me recordo, delegado, acredito que não, porque eu ofereci como um agrado, até porque não era um valor específico, se eu não me engano, para utilização. Era um serviço que eu tinha que oferecer para muitas pessoas mesmo, amigos, amigos de amigos”, disse Vorcaro no depoimento.

Paulo Sérgio Neves de Sousa era ex-diretor de fiscalização do BC. Ele e Bellini Santana, ex-chefe de departamento da área responsável pela supervisão bancária, foram afastados pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF) em março.

Ambos são investigados por suspeita de atuação inadequada na supervisão do Master antes da liquidação do banco, ocorrida após o agravamento da crise da institução, no fim de 2025.

Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde março deste ano. Antes disso, ele já havia sido preso na primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, mas foi solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

Atuação servidores

As investigações apontam que os servidores davam orientações estratégicas sobre processos administrativos e regulatórios do BC que envolviam o Master.

Além disso, as apurações da PF indicam que eles revisavam e sugeriam alterações em documentos que o Master mandava ao BC – e vazavam informações para que Vorcaro se antecipasse a eventuais medidas adotadas pela autoridade monetária.

O que disseram as defesas

Em nota divulgada após o depoimento, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que esta foi a primeira oportunidade dada ao ex-banqueiro para se manifestar diretamente sobre parte dos fatos apurados e responder aos questionamentos da investigação.

Segundo os advogados, Vorcaro respondeu “de forma clara e consistente” às perguntas formuladas e sustentou que não houve ato de corrupção envolvendo os servidores citados no inquérito.

A defesa de Paulo Sérgio disse que todos os custos da viagem de Paulo e sua família à Orlando, Flórida, foram pagas pelo servidor e “devidamente comprovadas”.

Ainda de acordo com os advogados, Paulo Sérgio “tem demonstrado sua atuação escorreita na regulação prudencial e supervisão” junto ao BC. E que não há “quaisquer elementos de prova que permitam a ilação de que Paulo Sérgio e sua equipe tenham de qualquer modo beneficiado Daniel Vorcaro”.

Fonte: Márcio Falcão – 04/09/2026

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