À PGR, Antonio Carlos Freixo Junior, o Mineiro, afirmou ter movimentado R$ 1,3 bilhão em dinheiro vivo e apresentou documentos para sustentar os relatos
Em delação premiada à Procuradoria-Geral da República (PGR), o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, dono da Entre Investimentos, disse ter movimentado cerca de R$ 1,3 bilhão em dinheiro vivo, entre 2020 e 2025, a mando de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master.
Segundo ele, os valores eram destinados ao pagamento de comissões e vantagens indevidas. Além disso, Mineiro também entregou documentos à PGR que, segundo ele, corroboram as declarações, incluindo recibos de malas compradas para armazenar o dinheiro.
Ainda segundo o empresário, os pedidos de dinheiro partiam de Vorcaro ou de pessoas próximas a ele, entre elas Zettel e Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro, ambos investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As solicitações eram feitas pelo WhatsApp. A partir delas, Mineiro acionava três operadores responsáveis por obter o dinheiro em espécie.
O empresário relatou ainda que transferia recursos para empresas indicadas pelos operadores. Uma delas seria uma distribuidora de combustíveis que já apareceu nas investigações da Operação Carbono Oculto, em São Paulo. Ainda conforme a delação, os operadores obtinham o dinheiro por meio de contatos no Brás, região central da capital, e no setor de combustíveis, antes de levá-lo à sede da Entre Investimentos, no Itaim Bibi.
Depois de receber os valores, Mineiro contou que combinava pelo WhatsApp a retirada das malas por Zettel. Para diminuir o período de armazenamento, a entrega geralmente ocorria no mesmo dia. Segundo ele, os volumes eram retirados no estacionamento subterrâneo da Entre Investimentos ou na garagem do prédio onde Zettel morava, também no Itaim Bibi.
De acordo com o empresário, os envolvidos recebiam pelos serviços percentuais distintos. Na delação, Mineiro afirmou ficar com 1% do montante movimentado, enquanto os operadores responsáveis pela obtenção do dinheiro recebiam 4%.
Para sustentar o relato, o empresário apresentou à PGR contratos de mútuo que, segundo ele, eram simulados para justificar os pagamentos, além dos registros das transferências bancárias.
Além dos contratos, também foram entregues uma tabela com datas e valores das operações, vídeos das câmeras internas da Entre Investimentos que mostrariam a movimentação das malas e os nomes dos motoristas responsáveis pela retirada dos volumes.
Dinheiro financiava produção de “Dark House”
Ainda na delação, o empresário cita envolvimento da Entre Investimentos em repasses, também determinados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ao fundo americano Havengate para financiar o filme Dark Horse, que conta a trajetória de Jair Bolsonaro até chegar à presidência do Brasil.
Segundo Mineiro, os pagamentos teriam sido solicitados a Vorcaro pelo senador Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro e atual candidato à Presidência da República, que nega irregularidades.
Fonte: Júlia Marques, Estado de Minas – 04/09/2026




